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Flagrantes da Política
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01/06/2019 | 16:10 | Por: Portal Flagrante

CASO WALLACE - Série da Netflix confunde público

 Não fosse o título confuso, a série “Bandidos na TV”, da Netflix, que estreou e foi exibida na última sexta-feira, 31, contando a saga do ex-deputado Wallace Souza e dos irmãos Fausto e Carlos, chegou bem próximo do que realmente ocorreu com os “Irmãos Coragem”, como o trio de apresentadores e político ficou conhecido no Amazonas.

A série, em sete capítulos, ouviu jornalistas, familiares, políticos ex-funcionários do programa Cana Livre, comandado por Wallace, mas deixou uma lacuna muito grande no ponto de vista do que mais o público quis saber: Wallace morreu culpado ou inocente?

Bem produzida e com qualidade, a Série atraiu uma multidão em Manaus e nos municípios do Amazonas, pela história dramática de ascensão e queda dos irmãos que no auge da vida política, em meados de 2008, ameaçaram a hegemonia de grupos políticos poderosos comandados na mesma época, por Gilberto Mestrinho, Amazonino, Eduardo Braga, Omar Aziz, Alfredo Nascimento entre outros.
 
A investigação comandada pela Secretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, na época do então governador Eduardo Braga (MDB), mostrou-se em alguns momentos falhas e em outros evidências que poderiam condenar ou absolver o deputado Wallace Souza da acusação de chefiar um grupo criminoso que matava rivais, traficava e usava a violência para ganhar ibope na TV.
 
A série lembrou muito bem o fato do então deputado Wallace Souza haver mexido com grupos políticos poderosos e que coincidentemente, passou a ser alvo de investigação, após denunciar e pedir uma CPI para investigar o ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, condenado por diversos crimes e que se encontra preso hoje em dia.
 
Principal aliado do então governador Eduardo Braga, Adail Pinheiro, prefeito do município com a segunda maior arrecadação, graças a exploração de petróleo no Urucu, cujo royalties enchia os olhos e bolsos do ex-prefeito, como comprovou a operação da Polícia Federal que aprendeu milhões em uma casa do prefeito, Wallace viraria inimigo número um de Adail e, por tabela, do governador Eduardo Braga.
 
Braga negou na série, qualquer envolvimento com a desgraça do ex-deputado Wallace, de quem foi amigo em tempos de campanhas políticas.
Wallace, na época, com altíssimos índices de popularidade, uma espécie de ‘herói’ da população devido ao programa de cunhos assistencialista e policialesco, ajudou a reeleger todos os caciques do grupo político daquele momento.
 
INVESTIGAÇÃO CONFUSA
 
A série da Netflix também mostrou e deixou em suspense parte da investigação da ‘força-tarefa’ criada para investigar o deputado Wallace Souza, após denúncia do ex-policial Moa. 
 
Partes da investigação tentou mostrar o deputado como líder de uma espécie de facção criminosa que queria dominar o narcotráfico no Amazonas. Mas poucas evidências e a morte prematura do deputado, acabou com o principal objetivo parente da ação policial, que era comprovar a culpa do ex-deputado.
 
A absolvição de Moa e do motorista Pequeno, no caso da morte do traficante Caçula, que comandava o tráfico e drogas em São Jorge, na zona Oeste, suposto fornecedor de drogas para Ulisses Souza, irmão mais novo do deputado Wallace que morreu em decorrência do vício em cocaína, supostamente executado por vingança a mando do deputado, caiu por terra a chance de comprovação de qualquer culpa contra o deputado.
 
Ao final da série, ficou a impressão que o ex-deputado maior campeão de votos na história política do Amazonas, foi perseguido, teve o mandato cassado e morreu inocente. No seu velório, no ginásio do Zezão, no bairro de São José, zona Leste de Manaus, milhares e não centenas de pessoas, como afirmou uma repórter no vídeo, foi se despedir do seu ‘herói’ que morreu por ‘defender os pobres’, como muitos chegaram a afirmar.
 
 
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