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Costumes e tradições são mantidos nas escolas indígenas municipais de Manaus

Com Diretrizes Pedagógicas da Educação Escolar Indígena, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), garante às comunidades indígenas da capital, meios para a efetivação da educação diferenciada, com qualidade social e pertinência pedagógica, cultural, linguística, ambiental e territorial, respeitando as lógicas, os saberes e as perspectivas dos povos indígenas. Neste dia 19 de abril, em comemoração ao Dia do Índio, a rede municipal de ensino apresenta as ações realizadas nas escolas e centros municipais indígenas durante o período  de pandemia da Covid-19, em que as aulas passaram a ser de forma remota.

O secretário municipal de Educação, Pauderney Avelino, visitou na tarde desta segunda-feira, 19/4, as comunidades Três Unidos e Nova Esperança, ambas no rio Negro, e reafirmou o apoio da prefeitura aos ribeirinhos.

“Essa data é muito importante e as comunidades indígenas podem contar com a administração do prefeito David Almeida, para que possamos oferecer o melhor da educação aos nossos irmãos das comunidades. Esse povo foi quem deu origem à nossa cidade. Eu tenho muito orgulho de estar ao lado deles. A nossa presença no dia de hoje aqui, significa a importância da preservação da cultura do povo baré e a resistência do povo kambeba”, disse o secretário.

A rede municipal de ensino possui quatro escolas indígenas e 22 Centros Municipais de Educação Escolar Indígena (CMEEI), nas zonas urbanas, rodoviárias e ribeirinhas da capital. Atualmente atende aproximadamente 600 crianças e adolescentes indígenas e conta com 38 professores. A educação indígena é coordenada pela Gerência de Educação Escolar Indigena (GEEI) da Semed.

De acordo com o gerente da GEEI, Glademir Santos, no mês de abril, além de se comemorar o Dia do Índio, é celebrado também o “Abril Indígena” para a rede municipal de ensino, que neste ano comemora 15 anos de educação voltada à cultura e costumes indígenas.

“Nossos eventos fazem referência a importância da relação entre a educação indígena nas formas diferenciadas de cada povo, que precisa de um trabalho de colaboração entre gestores, educadores, familiares e lideranças indígenas. Nesse contexto de pandemia, as atividades ocorrem por meio de reunião on-line e assim também acontece o atendimento aos alunos, para que cultura e tradição permaneçam”, comentou Glademir.

Já as atividades nos centros, as metodologias de ensino são por meio dos projetos de cada Cmeei, baseados nos costumes de cada comunidade, onde são levados em consideração danças, grafismos, plantas medicinais, ritual, histórias, entre outros.

No CMEEI Tupãna Yupirungá, no Tarumã-Açu, os indígenas karapãna trabalham o dabukuri das frutas, que é um ritual de agradecimento pela fartura. É conversado também sobre músicas e escrita na língua nheengatu e narrativas das histórias da mitologia karapãna, além de desenhos e dramatização. É dessa forma que a professora Marilda da Silva Paulino desenvolve as atividades com as crianças.

“É muito importante a prática e aqui na comunidade todos fazem parte da mesma família. É possível trabalhar de forma presencial com os que moram próximo ao CMEEI. Já os alunos de outro grupo familiar, que não moram na comunidade, trabalhamos de forma remota e enviamos atividades impressas para que eles acompanhem as aulas. Eu precisei me adaptar com os aparelhos tecnológicos e a internet, para que nenhum ficasse para traz”, disse a professora.

Tradição

As escolas indígenas são fundamentadas nos princípios da especificidade, do bilinguismo, do multilinguismo, da diversidade cultural, da reflexão dialógica, da diferença, da organização comunitária e da interculturalidade, de forma a valorizar as línguas e conhecimentos tradicionais dos povos indígenas. Para isso, os professores que atuam nas escolas e CMEEI são contratados por meio de Processo Seletivo Simplificado (PSS) e devem morar na própria comunidade indígena, para que os costumes e tradições sejam mantidos.

As escolas indígenas seguem os componentes curriculares da Semed, do ensino regular, mas também abordam temas indígenas e trabalham a cultura e costumes dos povos. Desde a suspensão das aulas presenciais, as atividades com os alunos e professores acontecem de forma on-line, por grupo de WhatsApp ou por meio de atividades impressas, para os alunos que não têm acesso às plataformas digitais.

Texto – Érica Marinho / Semed

Fotos – Alex Pazuello / Semed

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