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Mais comum a partir dos 50 anos, cisto renal pode causar dor nas costas e sangramento na urina

Caracterizados pela dilatação dos segmentos tubulares renais (tubos contidos nos rins usados para a filtragem), preenchidos por líquido claro, os cistos renais são mais comuns em pessoas com 50 anos ou mais e têm como principais causas a genética, o entupimento de um dos canais dos rins que filtram o sangue e produzem a urina, ou ainda, por fatores indeterminados.

O cirurgião urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo, destaca que na fase inicial, a alteração tende a não provocar sintomas. Mas, ao progredir, ocasiona dor lombar (nas costas) e sangramento microscópico na urina, que pode ser detectado através de exame laboratorial. A depender do tamanho, a estrutura também torna-se palpável na barriga e pode ser notada durante avaliação clínica feita por um urologista.

Divisão

Os cistos renais são divididos em diversos tipos. Entre eles, estão: doença renal policística autossômica dominante; doença renal policística autossômica recessiva; doenças multissistêmicas: Von Hippel Lindau, esclerose tuberosa; nefronoftise juvenil; nefrose congênita autossômica recessiva; doença glomerulocística hipoplásica familiar e a doença medular cística.

“Muita gente acredita que os cistos renais são similares aos cálculos renais (pedras nos rins). Mas, na verdade, as estruturas são completamente diferentes. No caso dos cálculos, eles são sólidos. Já os cistos, são estruturas dilatadas e preenchidas por líquido”, explicou Figliuolo, que é doutor em saúde coletiva pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Diagnóstico

Exames de imagem, como ultrassonografia e até a ressonância magnética, dão apoio ao processo diagnóstico. Já o tratamento, em caso de doença benigna, pode ser feito através de cirurgia minimamente invasiva (videolaparoscopia) para o esvaziamento do cisto e retirada da membrana, ou, dependendo do comprometimento do órgão, pode haver a indicação de uma nefrectomia (ressecção do rim afetado).

Cisto X câncer

De acordo com o especialista, a maioria dos cistos renais não tem relação com o câncer. Mas, uma minoria pode se desenvolver ao ponto de se tornar uma doença maligna. “Alguns cistos são considerados displasias ou cistos renais simples. São anomalias/proliferações celulares que ocorrem durante o desenvolvimento de um órgão ou tecido corporal, alterando sua característica. Mas, não são alterações malignas, como o câncer. Já outros, podem se tornar um câncer, apesar de serem minoria na estatística”, frisou o médico, que atua há cerca de 20 anos na área da urologia oncológica.

O que determina se a doença pode ou não ser maligna (câncer), é a classificação por tipos. As do tipo I têm chance zero de chegar a um câncer; tipo II, têm 5% de chances e a de tipo III e IV, têm chances de 40% a 80% de serem doenças malignas.

“O rastreio é feito a partir do tipo da doença. Os de tipos I e II, são acompanhados com exames anuais. Já os dos tipos III e IV, são tratados a partir de cirurgia, na qual o cisto é retirado e enviado à análise patológica, que apontará se é câncer e o tipo de neoplasia, processo essencial para sabermos se será preciso aplicar o que chamamos de tratamento adjuvante, que tem por objetivo, destruir células cancerígenas que restaram mesmo após a retirada do tumor”, assegurou o urologista.

Estatística do câncer

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão subordinado ao Ministério da Saúde (MS), a incidência estimada é de 7 a 10 casos de câncer de rim para cada 100 mil habitantes no Brasil. Os tipos mais comuns são: carcinoma de células renais, carcinoma papilar de células renais, carcinoma cromófobo de células renais, carcinoma de células transicionais e nefroblastoma.

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