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Política

Por 7 votos a 4, CPI da Covid-19 aprova relatório do senador Renan Calheiros

Documento de mais de 1.200 páginas imputa ao presidente Jair Bolsonaro nove crimes, entre eles prevaricação, epidemia com resultado morte e crime de responsabilidade.

Por 7 votos a 4, a CPI da Covid-19 aprovou, na noite desta terça-feira, 26, o relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL). O texto propõe o indiciamento de 78 pessoas, entre elas o presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos, e duas empresas, a Precisa Medicamentos e a VTCLog. Em um documento de mais de 1.200 páginas, a comissão imputa ao chefe do Executivo federal a prática de nove crimes: crime de epidemia com resultado de morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; charlatanismo; prevaricação; crime contra a humanidade; e crime de responsabilidade. Caberá ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a quem cabe denunciar autoridades com prerrogativa de foro, decidir se dará prosseguimento às investigações.

“Fizemos apuração técnica e esse relatório não é fruto das minhas convicções pessoais. Fui, como prometi, o redator da vontade majoritária. vimos crimes aterradores, barbaridades desumanas, o escárnio com a vida e o desprezo com a dor. esse período será tristemente lembrado como de maior rebaixamento civilizatório do Brasil. Esse documento nos redime em parte, mas as atrocidades cometidas por esse governo não serão esquecidas”, disse o relator, Renan Calheiros. “O caos do governo Jair Bolsonaro entrará para a história como o mais baixo degrau da indigença civilizatório. Reúne o que há de mais rudimentar, infame da humanidade: sabotou a ciência, é desonesto, despreparado, autoritário, com índole golpista, belicoso, mentiroso e agiu como um missionário enlouquecido para matar o próprio povo”, acrescentou o emedebista.

“Esse relatório foi esperado como resposta a um clamor de milhões de brasileiros desde que a pandemia nos assolou”, disse o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), minutos antes da votação do relatório. “Não foi eleição que motivou esta CPI. O que motivou esta comissão foi o mês de janeiro deste ano, quando vimos irmãos morrendo. O que clamou pela instalação dessa CPI foram as trágicas cenas de Manaus. O que clamou por essa CPI foi a perda de compatriotas de todas as classes sociais, foram as filas de desespero por cilindro de oxigênio, foi o choro dos órfãos que perderam os pais, o choro desesperado dos pais que perderam os filhos. Quantas mesas de jantares das famílias brasileiras estão incompletas por conta do descaso? Pelo menos 200 mil imrãos nossos poderiam estar entre nós. Quantos amigos parentes não poderiam estar nesse momento na sala de TV assistindo à conclusão destes trabalhos. O que motivou essa CPI foram as declarações de desrespeito aos mortes por parte daquele que, como maior mandatário dessa nação, deveria ter o dever constitucional de zelar e de ter empatia com os outros”, seguiu o parlamentar do Rede.

Em uma sessão longa, iniciada por volta das 10h30, os parlamentares também rejeitaram os votos em separados apresentados pelos senadores governistas. Para os aliados do Palácio do Planalto, a CPI não encontrou indícios de que o governo federal tenha cometido erros no enfrentamento da pandemia de Covid-19. No decorrer da discussão, os senadores Marcos Rogério (DEM-RO), Eduardo Girão (Podemos-CE), Jorginho Mello (PL-SC), Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) disseram que o relatório, chamado de “aberração jurídica” pelo filho Zero Um de Bolsonaro, foi composto por um “amontoado de narrativas”.

Fonte: JP Notícias

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