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Vivendo com 2 corações: InCor realiza transplante inédito no mundo

Hospital brasileiro foi o responsável por adotar procedimento cardíaco sem precedentes. Segundo médico, a cirurgia foi um sucesso.

O InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP), realizou recentemente uma cirurgia inédita no mundo. Trata-se da inclusão de um coração sadio no organismo do paciente. Mas, diferente dos transplantes convencionais, o indivíduo precisou viver alguns meses com dois corações, até que o órgão doente pudesse ser definitivamente retirado.
O professor universitário Lincon Paiva, de 55 anos, foi vítima de um infarto em fevereiro de 2020 e enfrentava um tratamento cardíaco para recuperar o bom funcionamento do coração. No entanto, a pandemia impediu que o processo fosse concluído e acabou agravando o seu quadro.

Quando Lincon retomou os cuidados, o médico o alertou sobre uma insuficiência cardíaca congestiva (ICC) grave nível 3, em uma escala em que a 4ª posição é considerada terminal. Nesse momento, cresciam as chances de o professor precisar da realização de um transplante convencional de coração.
Com o tempo, o problema tornou-se mais complexo e Lincon precisou ser internado no InCor, para a realização do transplante. No entanto, após o resultado de alguns exames, foi diagnosticada uma hipertensão pulmonar no professor. Fator de risco, que impediu os médicos de seguirem com o transplante convencional – até então, única maneira de salvar a vida de Lincon.

Cirurgia inovadora 

Em casos assim, no passado, as únicas alternativas eram os cuidados paliativos, que garantem apenas uma sobrevida ao paciente e não resolvem o problema. Foi aí que o cirurgião cardiovascular, Dr. Fábio Gaiotto, propôs a realização de uma técnica inovadora, nunca antes utilizada no mundo: o Transplante Heterotopico.
O processo consiste na inclusão de um novo e saudável coração no organismo, mas, sem a retirada imediata do coração doente. Tudo isso para que o corpo consiga se adaptar ao novo órgão e, dessa maneira, evitar que a hipertensão pulmonar cause a morte do paciente.

“O que fizemos foi desenvolver uma variante técnica dessa cirurgia, de maneira que, num primeiro momento, o coração doado seja usado como terapia para a hipertensão pulmonar e, ao final, substitua o coração doente”, diz o Dr. Fábio Gaiotto, cirurgião cardiovascular que criou a técnica.
“Você vai progredindo (após a cirurgia) e vai entendendo, até que percebe que está com dois corações mesmo. A primeira vez que eu vi o ecocardiograma, vi os dois corações batendo. Aquilo era muito impressionante não só para mim, mas para a maioria dos médicos, enfermeiros e equipe de exames laboratoriais”, revelou Lincon.

Após a inclusão do novo coração em seu organismo, o professor precisou aguardar alguns meses, até que os níveis de hipertensão pulmonar fossem normalizados. Felizmente, Lincon reagiu bem ao processo e pôde realizar a segunda cirurgia. Dessa vez, para a remoção do coração doente.

O paciente já recebeu alta dos médicos e, desde o dia 5 de novembro, se recupera em casa. Agora, com um coração saudável e sem problemas pulmonares. “Estou muito feliz de poder voltar para minha vida normal e, daqui para frente, é poder recuperar e retomar minha vida”, disse.
A inclusão de um segundo coração no organismo de pacientes com problemas cardíacos é algo que já aconteceu na medicina. No entanto, o resultado à longo prazo não se demonstrou positivo para os indivíduos que se submeteram a esse tipo de cirurgia. De acordo com a equipe médica do InCor, o corpo humano funciona corretamente apenas com um coração. Por isso, foi necessário retirar o órgão doente após a recuperação da hipertensão pulmonar de Lincon.

“O Lincon teve a confiança de ser o primeiro a participar dessa cirurgia, e seu quadro evoluiu tão bem que pudemos dar alta para ele, com a expectativa de que a sua recuperação o leve a retomar aos poucos suas atividades físicas, sociais e de trabalho”, diz o Dr. Gaiotto.
“Dentro desse novo protocolo de cirurgia, eu sabia que eu poderia ajudar outras pessoas nas mesmas condições que eu. Então isso pesou muito na minha decisão”, relembra Lincon.

Fonte: Saúde em Dia

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