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Política

Amazonino diz que o Amazonas está à deriva e sem rumo

O ex-governador disse que está cada vez mais preparado para assumir o Governo e que tem projetos para colocar o Estado nos trilhos

Em entrevista à TV Norte (afiliada do SBT), nesta segunda-feira (22/11), o ex-governador Amazonino Mendes (sem partido) fez uma breve análise do cenário amazonense, disse que nunca o estado esteve tão à deriva como na atualidade e lamentou pelas mortes ocorridas durante a pandemia por má condução político-administrativa.

“O que vem acontecendo com o estado não é uma coincidência. O estado nunca esteve à deriva, verdadeiramente sem rumo, uma situação extremamente crítica em toda sua história, como está hoje. Segurança e saúde, todos os descalabros do absurdo. Aqueles que amam o nosso estado têm compromisso e devem ter sofrido tanto quanto as famílias, coitadas, que perderam seus entes queridos, seus filhos, pais, irmãos e irmãs, avós. O recente episódio que acometeu o mundo na pandemia, aquilo ainda está na minha cabeça, na minha retina, aquela coisa brutal dos contêineres na frente dos hospitais para receber o corpo dos mortos. Morreram muitos amigos, pessoas valorosas. Na verdade a gente percebia, sentia que faltou amor. Basicamente amor, respeito à população, nosso povo, à nossa gente. O episódio da compra na casa de vinhos e coisas que revelam uma incompetência, incapacidade que a gente chama na linguagem popular de uma burrice”, analisou Amazonino.

O ex-governador Amazonino, durante o programa, questionou sobre quais obras foram construídas e entregues pela atual gestão Wilson Lima. Ele disse que tentou ajudar o estado no enfrentamento da criminalidade, quando em 2018, contratou o escritório internacional de segurança de Rudolph Giulliani.

“Qual foi o hospital que fizeram? As escolas? Melhoraram alguma coisa na educação, saúde? A segurança está um caos total. Eu fui buscar o homem, grupo, equipe, mais respeitados, mais importantes do mundo para ajeitar a segurança do Estado. O homem que tinha ajeitado a segurança em Nova Iorque. Tá certo, uma das maiores cidades do mundo, de um país desenvolvido, mas ele também com seu grupo acertou dentre outras a cidade de Cali (Colômbia) que era a mais violenta do mundo. Trouxe para cá o Giulliani. Um contrato de valor simbólico de cinco milhões de reais. O que são cinco milhões para uma organização dessa, internacional, acostumada a lidar com bilhões de dólares? Aqui, por política rasteira, criaram um clima negativo. E Manaus perdeu a oportunidade de combater a violência que já era crescente. Jogaram fora. Deixei o contrato para esse governo, esse governo destratou, dispensou”, declarou o ex-governador, destacando que o investimento em tecnologia e inteligência é o ponto focal para o enfrentamento da criminalidade. “Não adianta inventar e mentir para o povo e dizer que vai resolver com essa estrutura que nós temos. Polícia Civil, Polícia Militar, sei da disposição que eles têm, mas está faltando tecnologia de inteligência. Essa tecnologia nós não dominamos. Nós não temos. O Brasil inteiro, lugar nenhum, não tem. E aqui já chegou ao ponto que há um poder paralelo. Houve uma sublevação e houve desafios claros desse poder contra o poder oficial instalado. Há uma correlação de poder lamentável hoje, as pessoas já começam a pedir permissão no interior. Isso significa que o Estado oficial que nós conhecemos, o Estado legal, está numa situação às vezes inferior a esse novo estado crítico, ignominioso, criminoso, que está se estabelecendo, se fortalecendo cada vez mais. Onde vamos chegar?”, completou.

O também ex-prefeito de Manaus disse que nunca se sentiu tão bem para comandar o Executivo Estadual como nos dias atuais, “É meu dever, fazer cada vez mais. E me sinto como nunca estive tão preparado para assumir o governo como agora. É um somatório de experiências. Essa soma aliada ao meu espírito, meu jeito de ser, eu sou um caboclo, simples, e tenho um amor imenso pelo meu estado. Lá atrás, eu fiz uma lei, o equivalente hoje para destinar mais de R$ 1 bilhão pro interior, por ano. Acabaram com essa lei. É crime. Foi esse governo que mandou um projeto de lei para a Assembleia. Eu nunca vi uma Assembleia, com todo respeito, tão subserviente. Isso realmente é lancinante, a gente se sente mal. Eu sempre respeitei os deputados. Para mim, tem que ser independente. Não comprado através de contratos, negócios”, declarou Amazonino.

“Como eu disse, tem um governo que deixou o estado numa situação extremamente crítica, então estamos precisando de socorro. Eu acho que estou, mais do que ninguém, me desculpe a falta de modéstia, mais do que ninguém, preparado para recuperar e ajustar, botar de novo o estado nos trilhos, com todo o respeito que eu tenho, a todos esses meus concorrentes. São competentess são capazes. Têm direito, mas desculpe, é uma verdade. Como eu disse ainda há pouco, eu não posso deixar o estado assim, eu fazer de conta que não existe, e descansar, ir para o fundo de uma rede, como diz um novo adversário que está acostumado a dizer isto. É um ingrato”.

Desemprego

De acordo com Amazonino Mendes, o atual governador dispõe de muito recurso público em caixa, o que não diverge do atual momento social-econômico enfrentado pelas famílias hipossuficientes do Amazonas. “O governador atual tem muito dinheiro. Ele não tem ideias ou não quer fazer. Ele teria cinco bilhões em caixa. Guardar dinheiro é um absurdo para uma população que está desempregada também aqui. Fazer obras não é tanto o objeto da obra em si, mas emprega, ela gera emprego e esse emprego vai ajudar as famílias, vai ajudar o comércio. Tem que cuidar das pessoas. Saúde, sempre cuidei. O governo aqui está dando R$ 150 para as pessoas desvalidas e pobres. O município de (Presidente) Figueiredo está dando R$ 200. Isso é um escárnio, absurdo. Tem que dar realmente dinheiro para o povo desempregado. Tem de arranjar. Quando eu fui candidato a prefeito, eu prometi R$ 300. Porque eu sabia que ia chegar esse momento que o povo ia disputar”, observou.

Malversação

Amazonino Mendes rechaçou a malversação do erário que, segundo ele, acaba enriquicendo políticos e deixando o estado do Amazonas em situação regressa.
“Há políticos, na verdade, que querem pegar o estado como se ganhassem na loteria. Organizam grupos, ficam ricos. Para você ter ideia, tem muita gente aqui, tem gente com apartamento na Suíça e Manhattan, lugares mais caros do mundo. Portugal, em Miami é comum. E o pobre do estado do Amazonas sugado, arrebentando. Essa que é verdade. Governei tantas vezes, nunca permiti isso. Respeito pelo menos pela coisa pública e ele precisa fazer”, disse.

Cidade Universitária

Provocado sobre o projeto mal sucedido da Cidade Universitária, em Iranduba (AM), que rendeu ao Governo do Estado o desperdício de mais de R$ 200 milhões, Amazonino ressaltou que a obra foi mirabolante e sem objetivos para a educação universitária amazonense.

“Não me fale de cidade universitária que isso me constrange muito. Um absurdo, foi jogado dinheiro fora. Enganaram o povo, os jovens. É lamentável, não gosto nem de ouvir falar isso. Seria para amparar o estudante eventual do interior. Tecnicamente, isso não é correto. Mas quando eu fiz a universidade (UEA) eu quis estendê-la para o interior. É muito difícil, isso é importante. A Cidade Universitária foi uma proposta mirabolante, inviável e está lá os escombros da terraplanagem, não é bem escombro. Milhões jogados fora. É só pegar e acomodar o estudante do interior. Quando levei a universidade para o interior, criei até um curso que infelizmente acabaram, de ciências políticas. A minha intenção era fazer uma revolução no meu estado. E queria uma universidade singular, diferente, que ela fosse diferente, na Amazônia”, explicou.

BR 319

Amazonino Mendes, que chegou a asfaltar trechos da BR-319 e construir pontes de ligação no trecho Carreiro da Várzea a Careiro Castanho, disse que a rodovia é importante para o desenvolvimento regional. Ele sustentou que caso não haja a obra de asfaltamento por impedimentos de licenças ambientais, que o estado seja ressarcido pela importância ambiental da manutenção da floresta em pé.

“Essa estrada é fundamental, é incrível como não se realiza. A verdade é que o Brasil é um país que ainda que não se respeita. No conceito internacional, esse país baixa muita a servis. Esse país não pode ser assim, esse país tem que reagir. Agora na Amazônia, há um dado que nós somos obrigados a respeitar. Mas nós não procuramos realmente entender do ponto de vista científico. Se, de fato, a Floresta Amazônica em pé é importante para o equilíbrio climático do planeta, aí não tem jeito. É nossa obrigação, é a sobrevivência da humanidade. Aí, nós temos que respeitar, mas teríamos direito de reclamar uma contrapartida sobretudo financeira até para mantê-la em pé”, disse.

Sustentabilidade

Amazonino defendeu durante o programa projetos sustentáveis como a expansão da farmacopeia na região. “Por que que a gente não começa o trabalho sério de pesquisa para levantar a farmacopeia possível extraída da nossa floresta? Nós temos o direito de crescer economicamente, de distribuir recursos para uma população sofrida, pobre e desvalida como a nossa. Pari passu a isso, acompanhar os avanços técnico-científicos. Nós somos obrigados ao desenvolvimento. Isso pressupõe o quê? Você está pari passu acompanhando correlatamente a ciência”.

Para Amazonino, a experiência adquirida em quatro mandatos como governador, três de prefeitos de Manaus, e um de senador da República, o capacitam ainda mais para criações de projetos em prol do desenvolvimento do Amazonas.

“Por isso que eu fiz a universidade. Eu tenho essa tendência, não se iludam com esses cabelos brancos. Eu sempre fui revolucionário. Isso significa que eu não me conformo, eu avanço, eu brigo, eu luto, não para mim. Eu confesso que sou uma pessoa diferente. Eu duvido que apareça uma pessoa aqui que diga que o Amazonino, quando advogado, executou para mim quem me devia. Para mim, eu sou inibido. Mas para fazer para os outros, para a sociedade, eu não tenho inibição. O meu limite é inalcançável. É meu, é da minha natureza isso. Eu olho para trás com todos esses anos e digo: mas meu Deus, eu não cuidei de mim. Eu cuidei dos outros. Sei lá, foi uma espécie de missão, não sei. Isso me parece até místico”, finalizou a entrevista.

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