O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça criticou nesta segunda-feira, 17, o que classificou como “ativismo judicial” da Corte no julgamento da regulamentação das redes sociais. Com um placar de 8 a 3, os ministros decidiram que o artigo 19 do Marco Civil da Internet é parcialmente inconstitucional e estabeleceram critérios para que as plataformas removam conteúdos independentemente de ordem judicial.

“Compreender que cabe ao Judiciário dar a última palavra, é tranquilo. O problema é poder dar a primeira e dar a última palavra. Criar os próprios marcos limitadores. E, com a devida vênia da maioria que se formou na própria decisão do marco civil da internet, nós criamos restrições sem lei. Isso se chama ativismo judicial.

É isso, não tem outro modo”, disse Mendonça durante um almoço do grupo LIDE, em São Paulo.

O julgamento das redes sociais terminou em junho, mas como o acórdão foi publicado recentemente, na semana passada foram apresentados os primeiros recursos judiciais.

Tanto as big techs (como Google, X e Meta) quanto várias entidades que atuaram como amicus curiae apresentaram recursos e questionamentos sobre a decisão do Supremo.

Um dos pontos, por exemplo, é como ficarão os casos judiciais já em andamento. A demarcação de um prazo para quando a decisão do STF começa a valer (a chamada modulação dos efeitos do acórdão) é importante para delimitar a partir de quando as empresas podem começar a ser cobradas na Justiça e pelos órgãos de governo.

Mendonça foi vencido nesse julgamento e votou pela constitucionalidade do artigo 19, propondo que a responsabilização das plataformas continuasse mais branda até o Congresso Nacional editar uma nova norma sobre o assunto.