O Brasil assiste, em silêncio forçado, a um dos maiores atentados contra o seu futuro. O Congresso Nacional, sob o comando de uma maioria de direita que adora pregar “austeridade” na televisão, operou uma manobra que é a definição perfeita de imoralidade: retirou R$ 500 milhões das universidades federais para inflar o Ralo das Emendas, que saltou de R$ 50 bilhões para vergonhosos R$ 61 bilhões.

Educação Sufocada, “Bolsa-Reeleição”Alimentada

Não se trata de uma escolha técnica, trata-se de um sequestro. Tiraram dinheiro de instituições com contas auditadas e relevância científica — como a nossa UFAM e o IFAM — para injetá-lo na Bolsa-Reeleição dos parlamentares.
Diferente do orçamento das universidades, onde cada centavo é vigiado e destinado a bolsas e laboratórios, esses R$ 61 bilhões são distribuídos em um esquema de caixa preto. É o dinheiro que some em:

✓ Festas e Shows “Cai-Nela”: Cachês superfaturados em cidades minúsculas enquanto a biblioteca da universidade fecha por falta de luz.

✓ Asfalto Sonrisal: Obras que derretem na primeira chuva amazônica, mas que rendem a foto oficial para o Instagram do deputado.

✓ O “Toma lá, dá cá” sem rastro: Envio de verbas via “Emenda Pix”, onde o dinheiro cai na conta de prefeituras sem ninguém saber onde, como, ou se foi realmente gasto.

A Hipocrisia da Direita “Liberal”

A mesma direita que sobe à tribuna para atacar o ensino público e gritar contra o “gasto governamental” é a que agora coloca a mão na botija para garantir o próprio mandato. Eles não querem eficiência; eles querem o controle absoluto do cofre para manter seus currais eleitorais. Ao cortar meio bilhão da educação, eles estão assinando o certificado de que preferem um povo dependente de favores políticos do que jovens formadosu e independentes.
É um descaso deliberado. Enquanto cientistas amazonenses fazem milagre com orçamentos de fome, a bancada em Brasília celebra o aumento de um fundo que ninguém sabe onde vai parar.

Conclusão: O Silêncio que Custa Caro

O aumento das emendas para R$ 61 bilhões é a prova de que o projeto da atual legislatura é o atraso. Isso não é política, é pilhagem institucional do futuro dos nossos filhos.

E você, eleitor do Amazonas, vai aceitar esse tapa na cara?
Nossa bancada é forte em Brasília, mas parece que esqueceu quem paga o salário deles. É hora de cobrar os senadores e deputados que dizem defender o Amazonas, mas permitem o sufocamento da nossa inteligência.

Vá às redes sociais deles e faça as perguntas que os tiram do sério:

✓ “Deputado/Senador, o senhor teve coragem de tirar R$ 500 milhões das federais para engordar a sua própria ‘Bolsa-Reeleição’ de 61 bilhões?”

✓ “Por que o senhor prefere o ‘Ralo das Emendas’ sem transparência do que garantir o funcionamento da UFAM e do IFAM?”

✓ “Quantas bolsas de estudo o senhor destruiu para pagar o asfalto que vai sumir na próxima chuva?”

Plinio Cesar Albuquerque Coêlho é professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
É mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando na Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), em Buenos Aires.