O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afastou nesta terça-feira (3) a possibilidade de que a recente escalada de conflitos no Oriente Médio interfira na trajetória de redução da taxa básica de juros (Selic) no Brasil. A previsão é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie o ciclo de cortes na próxima reunião, marcada para 17 e 18 de março, mantendo a taxa em 15% ao ano.
Em entrevista à Rádio Nacional, Haddad ressaltou que, embora a conjuntura internacional seja dinâmica e imprevisível, é prematuro cogitar uma reversão do cenário “mais ou menos contratado” de afrouxamento monetário. Ele ponderou que conflitos armados, por sua natureza, impactam variáveis econômicas e expectativas futuras, exigindo que a equipe econômica esteja preparada para diversos cenários, incluindo eventos climáticos, pandemias e guerras comerciais.
O ministro destacou a resiliência da economia brasileira diante de choques externos. Ele citou a autossuficiência do país na produção de petróleo, impulsionada pelo pré-sal e pelos investimentos na Petrobras, além das reservas cambiais, a ausência de dívida externa e a matriz energética limpa como fatores que conferem autonomia ao Brasil para absorver impactos.
A menção ao Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global de petróleo, que o Irã ameaçou fechar, foi contextualizada por Haddad como parte de um movimento geopolítico mais amplo. Especialistas apontam que os recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã podem estar relacionados à contenção da expansão econômica chinesa, vista como um desafio por Washington, e à consolidação da influência israelense na região.
Haddad também comentou a relação entre a China e os Estados Unidos, afirmando que o gigante asiático “assusta demais” os EUA. Ele sugeriu que as movimentações no Irã e na Venezuela têm conexões com a dependência chinesa de importação de petróleo. O ministro expressou um certo “inconformismo” com a força econômica e militar crescente da China, que representa um desafio para o Ocidente, e defendeu a busca por maior integração e cooperação econômica em detrimento de tratamentos bélicos.
A China, parceira estratégica e econômica do Irã, que importa a maior parte do petróleo persa, declarou-se “extremamente preocupada” com os ataques e exigiu a cessação imediata das ações militares, defendendo a soberania iraniana e a retomada do diálogo para estabilidade regional.


