Após mais de três anos de paralisação, os trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial aprovaram uma proposta para o pagamento de dívidas trabalhistas acumuladas pela empresa. A decisão encerra uma greve iniciada em 7 de setembro de 2022, que durou 1.280 dias. Com o acordo, a expectativa é que as atividades da principal indústria bélica do Brasil, localizada em Jacareí (SP), sejam retomadas em abril.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região informou que a proposta aceita prevê o pagamento de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas. O plano de quitação será parcelado em 12 a 48 vezes, variando conforme o salário de cada um dos 1.400 funcionários com valores a receber.

Para viabilizar o retorno à produção, a Avibras irá dispensar os 850 trabalhadores atualmente registrados, quitar os débitos conforme o acordo e realizar 450 novas contratações. Esse processo de demissões, homologações e novas admissões ocorrerá entre março e abril.

A Avibras declarou que a aprovação do acordo pelos trabalhadores representa um avanço significativo para sua reestruturação. A empresa também destacou a importância da decisão do Tribunal de Justiça em rejeitar recursos contra a homologação de seu Plano de Recuperação Judicial. A companhia segue em fase de transição, focada na retomada das operações e no fortalecimento de sua atuação nos setores de defesa e aeroespacial.

A empresa buscou a recuperação judicial em março de 2022, alegando dívidas de R$ 600 milhões. Na época, foram anunciadas 420 demissões, posteriormente suspensas pela Justiça a pedido do sindicato.

A fábrica retornará suas atividades sob nova direção. O ex-proprietário João Brasil Carvalho Leite foi destituído em julho de 2023, após o Tribunal de Justiça de São Paulo homologar a transferência de 99% das ações para o Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, credor da empresa.

Com mais de 50 anos de história, a Avibras é conhecida por desenvolver tecnologias nas áreas de defesa e civil, com destaque para sistemas de lançamento de mísseis, foguetes guiados e motores foguetes para as Forças Armadas Brasileiras, além de veículos blindados.