A escalada das tensões no Oriente Médio e dados de inflação no Brasil acima do esperado agitaram o mercado financeiro nesta quinta-feira, impulsionando o dólar para perto da marca de R$ 5,25 e derrubando a bolsa de valores em mais de 2%.

A moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 5,242, registrando uma valorização de 1,62%. Após um início de sessão próximo da estabilidade, o dólar disparou com a abertura dos mercados nos Estados Unidos, aproximando-se de seu pico diário.

A divisa brasileira acompanhou o desempenho de outras moedas de economias emergentes, como o peso mexicano, chileno e o rand sul-africano. Com o avanço de quinta-feira, o real acumula uma desvalorização de 4,42% no ano.

No mercado acionário, o Ibovespa interrompeu uma sequência de três altas consecutivas e fechou o dia em queda de 2,55%, aos 179.284 pontos.

O principal motor da volatilidade foi a forte alta nos preços do petróleo, reflexo do agravamento do conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência internacional, avançou mais de 8%, negociado a US$ 101,26. Essa valorização ocorreu após o líder iraniano prometer manter o fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para cerca de 20% da produção global de petróleo. Incidentes como o ataque a petroleiros e navios no Golfo Pérsico intensificaram o receio do mercado.

No cenário doméstico, a inflação oficial de fevereiro, medida pelo IPCA, também pesou sobre os ativos brasileiros. Embora o índice acumulado em 12 meses tenha apresentado queda, a taxa mensal de 0,7% superou as projeções de 0,65% de diversas instituições financeiras. Uma inflação mais alta que o esperado pode adiar cortes na taxa básica de juros (Selic), tornando a renda fixa mais atrativa em detrimento da bolsa de valores.