O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, defendeu a criação de um novo Plano Brasil Soberano, visando amparar exportadores brasileiros que enfrentam barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos. A iniciativa, segundo Mercadante, também contemplaria setores com balança comercial deficitária, considerados estratégicos para o país, e aqueles impactados por desdobramentos de conflitos geopolíticos.
O Plano Brasil Soberano original, lançado em agosto de 2025, foi concebido para auxiliar empresas exportadoras afetadas por tarifas americanas que chegaram a 50% para produtos brasileiros. Embora uma decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro de 2025 tenha revertido parte dessas tarifas, o presidente do BNDES ressaltou que algumas indústrias ainda sofrem com taxações elevadas, desequilibrando a competitividade no mercado internacional.
Mercadante citou a Seção 232 da legislação americana, que permite a imposição de tarifas por questões de segurança nacional. Setores como siderurgia, alumínio e cobre ainda estariam sujeitos a tarifas de 50%, enquanto o setor automotivo e de autopeças enfrentam 25%. “A nossa avaliação é que precisamos de um Brasil Soberano 2”, afirmou o presidente do banco.
As declarações foram feitas durante a apresentação do balanço financeiro de 2025 do BNDES. No ano passado, o banco financiou R$ 19,5 bilhões para 676 empresas dentro do plano original. Mercadante informou que R$ 6 bilhões permanecem disponíveis em caixa, sem a necessidade de recursos adicionais do orçamento público. Ele sugeriu que esses fundos poderiam ser realocados pelo Tesouro Nacional para um novo programa, mediante aprovação do Congresso Nacional, possivelmente via Medida Provisória.
O presidente do BNDES confirmou que já existem diálogos avançados com o vice-presidente Geraldo Alckmin e o Ministério da Fazenda, aguardando a decisão final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mercadante reiterou a importância de expandir o programa para incluir setores com déficit comercial e estratégicos, como o de fertilizantes, mencionando a instabilidade geopolítica global, incluindo os conflitos na Ucrânia e no Irã, como fatores que demandam maior resiliência nacional.
Em outro ponto, Mercadante abordou a situação da Raízen, gigante de biocombustíveis. Ele assegurou que o BNDES está empenhado em buscar uma solução para a recuperação extrajudicial da empresa, que negocia R$ 65,1 bilhões em dívidas. O banco aprovou em janeiro de 2025 um financiamento de R$ 1 bilhão para a produção de etanol, e a dívida da Raízen com o BNDES possui garantias reais, não estando incluída na renegociação. O BNDES busca ativamente uma solução, acreditando na recuperação da empresa devido aos seus ativos e importância no setor de biocombustíveis.
Por fim, questionado sobre o fim da escala de trabalho 6×1, Mercadante informou que o BNDES está estudando a questão, mas ainda sem definição, aguardando a decisão governamental sobre a proposta que tramita no Congresso Nacional.


