A Federação Única dos Petroleiros (FUP) manifestou nesta quarta-feira (18) sua insatisfação com as recentes elevações no preço do óleo diesel, atribuindo o aumento a “distorções estruturais” no mercado brasileiro. Em comunicado oficial, a entidade, que representa 14 sindicatos do setor de óleo e gás, destacou as privatizações ocorridas no governo anterior e margens de lucro consideradas excessivas como os principais fatores por trás da escalada de preços.
Cibele Vieira, diretora da FUP, ressaltou que, em um contexto de alta do petróleo no mercado internacional devido a conflitos como a guerra no Irã, a situação atual reflete a falta de controle público sobre a cadeia de combustíveis e a dependência de importações. “A Petrobras tem capacidade de estabilizar preços na refinaria, mas não interfere no que ocorre posteriormente. Com a ausência de distribuição pública e a necessidade de importar parte do diesel, abre-se brecha para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, explicou a sindicalista.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam um reajuste de 12% no preço médio do litro do diesel S10 entre a primeira e a segunda semana de março. O valor médio subiu de R$ 6,15 para R$ 6,89. A FUP reconheceu as ações do governo federal para mitigar esses aumentos, incluindo a redução a zero do PIS e da Cofins sobre o combustível e a subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores. Adicionalmente, o governo propôs aos estados a isenção do ICMS sobre o diesel importado.
Essas medidas visam amenizar os impactos da conjuntura internacional. O barril do petróleo Brent, referência global, atingiu aproximadamente US$ 108 (cerca de R$ 564), um aumento de cerca de 55% em um mês. A pressão global sobre os preços é intensificada pelo fato de o petróleo ser uma commodity e pela dependência do Brasil, que importa cerca de 30% do diesel consumido.
No último sábado (14), a Petrobras ajustou o preço do diesel A (vendido a distribuidoras) em R$ 0,38, alcançando R$ 3,65 por litro. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou que, nesta quarta-feira, o diesel vendido nas refinarias da Petrobras estava 59% abaixo da paridade internacional. A política de preços da Petrobras desde 2023 busca evitar o repasse imediato de flutuações ao consumidor.
A FUP critica a privatização da BR Distribuidora, ocorrida no governo anterior, argumentando que essa medida enfraqueceu o controle público. Segundo a entidade, empresas privadas tendem a repassar aumentos de preço mais rapidamente aos consumidores. Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, alertou para os efeitos em cascata do aumento do diesel, que impactam não apenas o transporte, mas também alimentos e a inflação geral da economia.
A instabilidade nos preços do petróleo foi desencadeada por tensões no Oriente Médio, com o Irã ameaçando bloquear o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás, elevando as cotações internacionais.


