O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de uma reserva estratégica de combustíveis no Brasil, visando a estabilização de preços e a garantia de abastecimento em cenários de instabilidade internacional. A declaração foi feita durante um evento da Petrobras em Minas Gerais, onde o presidente enfatizou a importância dessa medida como um plano de longo prazo.

Lula direcionou a proposta à presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltando que a construção de um estoque regulador é um processo que demanda tempo, mas é fundamental para proteger o país de choques externos. Ele citou a escalada do conflito no Oriente Médio e o potencial impacto no Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo mundial, como exemplos da vulnerabilidade atual.

“Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador, para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje”, afirmou o presidente, preocupado com a duração de conflitos e possíveis bloqueios no fornecimento de petróleo. Ele comparou a proposta à reserva de moeda estrangeira, que, segundo ele, garante a soberania nacional e a estabilidade econômica do país.

Atualmente, o Brasil não dispõe de reservas estratégicas de petróleo, contando apenas com estoques operacionais para assegurar a continuidade do abastecimento entre a chegada de novas cargas ou o processamento nas refinarias. A dependência de cerca de 30% de diesel importado eleva a vulnerabilidade em momentos de crise global. Lula defende que, mesmo com um custo elevado, a reserva estratégica proporcionaria soberania e proteção contra a especulação.

O presidente também anunciou planos para investir na melhoria e, possivelmente, na construção de novas refinarias, além de um plano estratégico de produção e armazenamento de combustíveis. Ele mencionou que países como Estados Unidos, China e Rússia mantêm estoques estratégicos, argumentando que o Brasil também precisa dessa capacidade.

O anúncio da proposta de reserva estratégica ocorreu em paralelo ao anúncio de investimentos da Petrobras de R$ 9 bilhões na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim (MG). A refinaria, que estava operando abaixo de sua capacidade e em processo de desinvestimento, agora opera com 98% de sua capacidade. Os investimentos visam aumentar a produção e a eficiência da unidade, além de promover a transição energética com a inauguração de uma usina fotovoltaica.