As expectativas do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil em 2026 foram ajustadas para cima. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,1% para 4,17%, conforme aponta o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) que compila as projeções de instituições financeiras.

Apesar da elevação, que ocorre pela segunda semana consecutiva e reflete as incertezas globais, como as tensões no Oriente Médio, a nova estimativa ainda se situa dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta para 2026 é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, fixando os limites em 1,5% e 4,5%.

Em fevereiro, a inflação mensal registrou 0,7%, impulsionada principalmente pelos setores de transportes e educação, uma aceleração em relação ao índice de janeiro. Contudo, o acumulado em 12 meses apresentou uma desaceleração, recuando para 3,81%, o menor patamar desde maio de 2024.

As projeções para os anos seguintes mantêm a inflação em patamares controlados: 3,8% para 2027, 3,52% para 2028 e 3,5% para 2029.

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, o mercado elevou a projeção para o final de 2026 de 12,25% para 12,5% ao ano. As expectativas para 2027 e 2028 indicam uma trajetória de queda, com a Selic estimada em 10,5% e 10% ao ano, respectivamente, chegando a 9,5% em 2029.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que recentemente reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, adota uma postura cautelosa diante do cenário internacional, não descartando a revisão do ciclo de cortes caso as incertezas persistam.

Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), a previsão de crescimento para 2026 foi ligeiramente ajustada de 1,83% para 1,84%. Para 2027, a expectativa é de 1,8%, e para 2028 e 2029, o mercado projeta uma expansão de 2% ao ano.

A cotação do dólar para o final de 2026 está projetada em R$ 5,40, com a expectativa de que alcance R$ 5,45 ao final de 2027.