Apesar dos avanços, o universo do futebol ainda apresenta barreiras significativas para a participação feminina, exigindo de atletas, narradoras e jovens talentos uma dose extra de determinação para se firmarem em um esporte historicamente dominado por homens.

Neste Mês da Mulher, profissionais e aspirantes compartilham suas experiências, evidenciando como a paixão pelo esporte e a vontade de vencer impulsionam a luta diária por espaço em um cenário que, por quase quatro décadas, foi proibido às mulheres no Brasil.

O cenário atual, embora promissor com o anúncio do calendário do futebol feminino para 2026 e a definição das datas do Brasileirão, ainda reflete um desequilíbrio. Dados de 2022 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apontam para apenas 360 jogadoras profissionais e 17 árbitras registradas no país.

A ex-jogadora e agora diretora no Ministério do Esporte, Formiga, enfatiza a necessidade de um ambiente seguro para atrair e reter mais mulheres no futebol. “Precisamos trazer segurança não só para essas atletas de hoje, mas para todas as meninas, mulheres, independentemente em que cargo estejam, seja como treinadora, árbitra, diretora”, declarou. Ela, que participou de sete Copas do Mundo, ressalta a importância da formação de base e da consolidação de times femininos em todos os estados, buscando um equilíbrio nacional.

A jovem meio-campista Isadora Jardim, de 14 anos, que trocou o Distrito Federal por São Paulo para atuar no Corinthians e foi convocada para a Seleção Brasileira sub-15, relata os desafios enfrentados. “Já ouvi muitos comentários do tipo ‘futebol não é para mulher’, ‘mulher não joga futebol’. E Isso nunca é bom, mas aprendi a lhe dar com eles e a me tornar mais forte”, contou. Ela incentiva outras meninas a persistirem em seus sonhos: “Nunca desistam e continuem treinando.”

Na área da narração esportiva, Luciana Zogaib, que integra a equipe de esportes da EBC, destaca a resistência cultural e o machismo ainda presentes. “O rádio tem 100 anos, e só havia homens fazendo esse trabalho de locução. Há uma resistência muito grande em relação às mulheres. Culturalmente, o machismo no futebol é muito, muito forte”, afirmou. A presença feminina nas cabines, segundo ela, é fundamental para abrir o mercado e gerar novas oportunidades.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tem o futebol feminino como prioridade, com a TV Brasil transmitindo jogos do Brasileirão Feminino e buscando ampliar a visibilidade do esporte. A EBC também integra os preparativos para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que acontecerá no Brasil, discutindo formas de apoio para levar o esporte a todas as regiões do país e garantir um legado social e esportivo.