A jornada das mulheres no futebol brasileiro é marcada por uma luta constante contra o preconceito e a necessidade de demonstrar talento e resiliência em um ambiente historicamente dominado por homens. Neste Mês da Mulher, atletas, narradoras e jovens promessas compartilham suas experiências e a paixão que as impulsiona a superar desafios, em um esporte que por décadas foi vetado a elas.
Apesar dos avanços, a representatividade feminina no futebol ainda enfrenta obstáculos significativos. Dados de 2022 da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) revelam um número limitado de jogadoras profissionais e árbitras registradas, evidenciando a necessidade de políticas públicas eficazes e um ambiente mais inclusivo.
A ex-jogadora e atual diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte, Formiga, enfatiza a importância de criar um espaço seguro para todas as mulheres no esporte. “Precisamos trazer segurança não só para essas atletas de hoje, mas para todas as meninas, mulheres, independentemente em que cargo estejam, seja como treinadora, árbitra, diretora”, afirma. Ela ressalta que a formação de base é crucial para o desenvolvimento e a sustentabilidade do futebol feminino, defendendo a consolidação de times em todos os estados e um maior equilíbrio em todo o país.
A jovem meio-campista Isadora Jardim, de 14 anos, que deixou o Distrito Federal para atuar no Corinthians em São Paulo, é um exemplo da nova geração. Convocada para a Seleção Brasileira sub-15, ela já lidou com comentários desanimadores, mas aprendeu a transformá-los em força. “Já ouvi muitos comentários do tipo ‘futebol não é para mulher’, ‘mulher não joga futebol’. E Isso nunca é bom, mas aprendi a lidar com eles e a me tornar mais forte”, relata, incentivando outras meninas a persistirem em seus sonhos.
No campo da narração esportiva, Luciana Zogaib, da EBC, destaca a forte resistência cultural e o machismo ainda presentes no meio. “O rádio tem 100 anos, e só havia homens fazendo esse trabalho de locução. Há uma resistência muito grande em relação às mulheres. Culturalmente, o machismo no futebol é muito, muito forte.” A presença feminina nas cabines, segundo ela, é fundamental para abrir o mercado e gerar novas oportunidades.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) tem o futebol feminino como prioridade, com a exibição de jogos do Brasileirão Feminino e o apoio aos preparativos para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será sediada no Brasil. Iniciativas como a transmissão de jogos das Séries A1, A2, A3 e categorias de base visam aumentar a visibilidade e o alcance do esporte em todo o território nacional, promovendo um legado social e esportivo duradouro.


