A seleção de Cabo Verde, conhecida como os Tubarões Azuis, alcançou um feito histórico ao garantir sua primeira participação na Copa do Mundo de 2026. A expansão do torneio para 48 seleções abriu portas para estreantes, e o arquipélago africano soube aproveitar a oportunidade, escrevendo um dos capítulos mais importantes de sua trajetória esportiva.

Para concretizar o sonho da Copa, Cabo Verde apostou na convocação de jogadores da diáspora, talentos caboverdianos espalhados pelo mundo, especialmente na Europa e nas Américas. Essa estratégia foi fundamental para montar uma equipe competitiva, capaz de enfrentar as dificuldades de um país com uma população estimada em 500 mil habitantes em seu território insular, mas com mais de 1 milhão de descendentes vivendo no exterior.

A identidade de Cabo Verde como um país cosmopolita, com fortes laços entre África, Europa e Américas, é um reflexo de sua história e também se manifesta no futebol. O país, que conquistou sua independência de Portugal há 50 anos, viu no esporte uma ferramenta para fortalecer o sentimento nacional, ideia impulsionada por líderes como Amílcar Cabral, que enaltecia a unidade e a colaboração entre os jogadores.

A filiação à Confederação Africana de Futebol (CAF) em 1986 e à Federação Internacional de Futebol (FIFA) em 1988 marcou o início da organização da seleção. O apelido de Tubarões Azuis faz referência à rica fauna marinha local, que enfrenta desafios ambientais como o aquecimento global. No campo, a equipe passou por um período de consolidação até 2012, quando sob o comando do técnico Lúcio Antunes, alcançou as quartas de final do Campeonato Africano das Nações (CAN), utilizando pela primeira vez a estratégia de convocar jogadores da diáspora.

Apesar de oscilações posteriores, a paixão pelo futebol em Cabo Verde nunca diminuiu. Em meio à pandemia de COVID-19, em 2020, o ex-zagueiro Pedro Brito, o Bubista, assumiu o comando técnico. Sua gestão trouxe de volta a confiança, com duas classificações consecutivas para a Copa Africana (2021 e 2023) e a tão almejada vaga para o Mundial de 2026. Bubista uniu experiência e juventude, integrando jogadores experientes como o atacante Bebé e o goleiro Vozinha com novos talentos, como o jovem Daylon Livramento, autor de gols decisivos nas eliminatórias.

A campanha para a Copa do Mundo foi marcada por vitórias expressivas, incluindo um triunfo sobre a tradicional seleção de Camarões, que gerou grande comoção e celebração no país. A expectativa para a estreia no Mundial é alta, com o professor João Almeida Medina, da Universidade de Cabo Verde, confiante na capacidade da equipe: “Não iremos apenas participar. Temos uma equipa bem equilibrada, temos liderança, temos entusiasmo e, com o apoio da torcida cabo-verdiana, e, acredito, da brasileira, faremos bonito nos Estados Unidos”.

A preparação para a Copa segue com um amistoso contra o Chile nesta sexta-feira (27), na Nova Zelândia. A lista oficial de convocados deve ser divulgada entre abril e maio, antecipando a empolgação de um país que sonha alto em sua primeira Copa do Mundo.