As transações externas do Brasil apresentaram um saldo negativo de US$ 5,614 bilhões em fevereiro, uma redução significativa em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o déficit nas contas correntes foi de US$ 10,245 bilhões. Esta é a terceira vez consecutiva que o país observa uma diminuição no déficit externo, acumulando uma queda de US$ 12,1 bilhões nos últimos meses.

A melhora no resultado de fevereiro foi impulsionada principalmente pelo superávit da balança comercial de bens, que avançou US$ 4,6 bilhões. Esse desempenho positivo é explicado pelo aumento expressivo das exportações, que atingiram níveis recordes em diversas métricas – para meses de fevereiro, no acumulado do ano e nos últimos 12 meses – e por uma retração nas importações. A queda nas importações está alinhada com a desaceleração da atividade econômica interna, reflexo da política monetária de elevação dos juros.

No acumulado dos 12 meses encerrados em fevereiro, o déficit em transações correntes totalizou US$ 63,444 bilhões, representando 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB). Este número é inferior ao registrado no período equivalente anterior, que somou US$ 78,980 bilhões, ou 3,67% do PIB. O Banco Central (BC) destaca a robustez do cenário das transações correntes e a tendência de redução do déficit.

O déficit externo está sendo coberto por capitais de longo prazo, com destaque para os Investimentos Diretos no País (IDP). Em fevereiro, o IDP alcançou US$ 6,754 bilhões, embora inferior aos US$ 10,039 bilhões registrados em fevereiro de 2025. O BC considera o IDP a forma mais vantajosa de financiamento, pois os recursos são direcionados ao setor produtivo e tendem a ser de longo prazo. Nos 12 meses até fevereiro, o IDP recuou para US$ 75,852 bilhões (3,24% do PIB), mas ainda demonstra a solidez da economia brasileira, sendo totalmente financiado por essa modalidade.

Adicionalmente, os investimentos em carteira no mercado doméstico apresentaram uma entrada líquida de US$ 5,366 bilhões em fevereiro. No acumulado de 12 meses até o mesmo mês, esses investimentos somaram US$ 29,3 bilhões, superando os valores dos períodos anteriores. As reservas internacionais do Brasil também apresentaram crescimento, atingindo US$ 371,074 bilhões em fevereiro.

Analisando componentes específicos, as exportações de bens cresceram 14,8% em fevereiro, totalizando US$ 26,383 bilhões, enquanto as importações caíram 5,1%, somando US$ 22,876 bilhões. A balança comercial registrou um superávit de US$ 3,507 bilhões no mês, revertendo o déficit de US$ 1,123 bilhões de fevereiro de 2025. O déficit na conta de serviços manteve-se estável em US$ 3,921 bilhões, e o déficit na conta de renda primária aumentou ligeiramente para US$ 5,640 bilhões. A conta de renda secundária apresentou um superávit de US$ 440 milhões.