O Brasil registrou um marco sem precedentes no início deste ano, com 66,8% da população ocupada contribuindo para algum regime de previdência social. Esse percentual equivale a 68,196 milhões de trabalhadores protegidos, o maior índice desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012.
Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam um cenário positivo para a cobertura previdenciária, embora o número absoluto de contribuintes tenha sido ligeiramente maior no último trimestre de 2025. Naquele período, 68,496 milhões de pessoas contribuíram, mas representavam 66,5% do total de ocupados.
A contribuição para a previdência garante aos trabalhadores direitos essenciais como aposentadoria, auxílio por incapacidade e pensão por morte. O IBGE define como contribuintes os empregados, empregadores, trabalhadores domésticos e autônomos que efetuam pagamentos aos regimes previdenciários federais, estaduais ou municipais.
Especialistas atribuem esse recorde ao fortalecimento do mercado de trabalho formal. Segundo Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, o aumento de postos de trabalho formais, com maior produtividade e remuneração, impulsiona diretamente a arrecadação previdenciária.
No trimestre encerrado em fevereiro, o número de empregados com carteira assinada no setor privado atingiu 39,2 milhões, um resultado considerado muito positivo e estável em comparação com períodos anteriores. A Pnad também indicou um recorde no rendimento médio real do trabalhador, que alcançou R$ 3.679, já descontada a inflação.
A tendência de aumento na contribuição previdenciária é vista como um fator importante para a sustentabilidade do sistema no longo prazo, especialmente em um país com população em processo de envelhecimento. A expectativa é que esse percentual continue crescendo, desde que a economia mantenha seu ritmo de expansão.


