O Ministério da Fazenda está trabalhando em uma reformulação significativa no processo de declaração do Imposto de Renda. A ideia é migrar do preenchimento manual para um sistema automatizado, onde o papel do contribuinte se limitará à validação das informações já reunidas.

A proposta foi apresentada pelo ministro Dario Durigan em uma reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durigan solicitou à Receita Federal o desenvolvimento de uma ferramenta que consolide os dados financeiros dos cidadãos, eliminando a necessidade de inserção manual.

“O que tenho pedido para a Receita é que a gente construa o sistema para logo, que a gente não precise mais declarar Imposto de Renda”, declarou o ministro, sinalizando a ambição de simplificar drasticamente o processo.

O novo modelo automatizado prevê a integração de informações financeiras provenientes de diversas fontes, tanto públicas quanto privadas. Isso inclui dados bancários, registros empresariais e informações de planos de saúde. O contribuinte, então, teria a tarefa de apenas revisar e confirmar a exatidão dos dados apresentados pelo sistema.

Essa iniciativa representa uma evolução do modelo de declaração pré-preenchida, que tem sido gradualmente implementado e expandido pela Receita. Estima-se que essa modalidade já alcance uma parcela considerável dos contribuintes, com projeções de chegar a cerca de 60%.

Segundo Durigan, o principal objetivo da mudança é desburocratizar o sistema tributário brasileiro e torná-lo mais eficiente. “Como a gente tem um país informatizado, essas informações vão sendo colocadas no sistema, e a pessoa precisa validar simplesmente”, explicou.

O ministro também ressaltou a importância de o Brasil se tornar um ambiente mais propício à inovação e menos engessado pela burocracia. A transição para um sistema automatizado se alinha a essa visão de modernização.

Atualmente, a declaração pré-preenchida já compila dados como rendimentos, patrimônio, investimentos e deduções. No entanto, a Receita Federal ainda recomenda que os contribuintes verifiquem cuidadosamente as informações, pois elas são fornecidas por terceiros. A intenção do governo é que essa etapa de verificação manual se torne cada vez menor, até que o envio manual seja desnecessário.

A reunião ministerial também abordou outros temas relevantes, como o combate ao crime organizado, a parceria com órgãos de segurança e medidas para controlar a volatilidade dos preços dos combustíveis. Além disso, foram discutidas mudanças na equipe governamental em virtude do prazo de desincompatibilização para ministros que almejam candidaturas nas próximas eleições.