A expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi revisada para cima. A projeção para este ano subiu de 4,31% para 4,36%, de acordo com o Boletim Focus divulgado semanalmente pelo Banco Central. Esta é a quarta semana consecutiva de elevação na previsão, refletindo, em parte, as incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio.

Apesar da alta, o novo percentual ainda se encontra dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margens de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, fixando os limites entre 1,5% e 4,5%.

Em fevereiro, a inflação oficial registrou 0,7%, impulsionada principalmente pelos aumentos nos setores de transportes e educação. No entanto, o IPCA acumulado em 12 meses apresentou uma desaceleração, recuando para 3,81%, o menor patamar desde maio de 2024. Os dados referentes a março, que podem já refletir o impacto da tensão geopolítica, serão divulgados pelo IBGE na próxima quinta-feira.

As projeções para os anos seguintes também foram ajustadas. Para 2027, a estimativa de inflação subiu de 3,84% para 3,85%. As previsões para 2028 e 2029 indicam taxas de 3,6% e 3,5%, respectivamente.

No que diz respeito à taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, o Banco Central considera seu principal instrumento para o controle inflacionário. Após um corte de 0,25 ponto percentual na última reunião do Copom, a expectativa anterior de um corte mais acentuado (0,5 ponto) foi moderada diante da escalada do conflito no Irã. O BC não descarta a possibilidade de rever o ciclo de cortes caso as incertezas econômicas se intensifiquem.

O próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) está agendado para os dias 28 e 29 de abril. As projeções para a Selic no médio prazo indicam uma redução gradual, com a taxa estimada em 12,5% ao ano até o fim de 2026, caindo para 10,5% em 2027 e 10% em 2028, chegando a 9,75% em 2029.

O Boletim Focus também trouxe atualizações sobre o Produto Interno Bruto (PIB) e o câmbio. A previsão de crescimento da economia brasileira para este ano foi mantida em 1,85%. As projeções para 2027, 2028 e 2029 indicam um crescimento em torno de 1,8% a 2%. A cotação do dólar para o final deste ano está projetada em R$ 5,40, com leve alta para R$ 5,45 ao final de 2027.