A balança comercial brasileira registrou o menor superávit para o mês de março desde 2020, atingindo US$ 6,405 bilhões. O resultado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), representa uma queda de 17,2% em comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 7,736 bilhões.
A retração no superávit é atribuída principalmente à diminuição nas exportações de café e ao aumento significativo nas importações de veículos. O valor das exportações em março foi de US$ 31,603 bilhões, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior, marcando o segundo maior valor para o mês desde o início da série histórica. Por outro lado, as importações alcançaram US$ 25,199 bilhões, um aumento expressivo de 20,1%, o maior valor já registrado para o mês desde 1989.
No setor agropecuário, as exportações apresentaram um leve aumento de 1,1%, impulsionadas por animais vivos e algodão, apesar da queda expressiva de 30,5% nas vendas de café, que totalizaram US$ 437,1 milhões a menos que em março de 2025. A indústria extrativa teve um desempenho notável de +36,4%, com destaque para o petróleo. Já a indústria de transformação cresceu 5,4%.
As importações, por sua vez, foram fortemente influenciadas pela aquisição de veículos, que subiram US$ 755,7 milhões. Outros setores que registraram aumento nas importações incluem pescados, frutas, minérios, carvão e fertilizantes. A compra de automóveis de passageiros aumentou 204,2%.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a balança comercial apresenta um superávit de US$ 14,175 bilhões, um aumento de 47,6% em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado é atribuído à importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, uma operação que não se repetiu neste ano. As projeções do Mdic para o superávit comercial em 2026 foram atualizadas para US$ 72,1 bilhões, um aumento de 5,9% em relação a 2025, com exportações estimadas em US$ 364,2 bilhões e importações em US$ 280,2 bilhões.


