O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) divulgou projeções otimistas para a balança comercial brasileira, estimando um superávit de US$ 72,1 bilhões para 2026. Este valor representa um crescimento de 5,9% em relação à expectativa de US$ 68,1 bilhões para 2025, sinalizando uma trajetória de expansão nas trocas comerciais do país.
As projeções oficiais apontam para um volume de exportações de US$ 364,2 bilhões em 2026, com um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior. As importações, por sua vez, deverão atingir US$ 292,1 bilhões, registrando uma elevação de 4,2%. Esses números se alinham com a faixa de projeção anteriormente estabelecida pelo governo, que variava entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior do MDIC, ressaltou que, apesar das incertezas globais, como o impacto da guerra no Oriente Médio nas exportações que já registraram queda de 26%, os indicadores domésticos oferecem suporte à previsão. “Pelos dados que temos até agora, olhando atividade econômica, taxa de câmbio e consumo, os modelos apontam para esse resultado”, explicou.
Brandão também destacou a notável resiliência do comércio exterior brasileiro frente a crises internacionais. “Observamos um comércio exterior brasileiro relativamente estável e resiliente a crises”, afirmou, evidenciando a capacidade do setor de se adaptar a cenários adversos.
As projeções para a balança comercial são revisadas trimestralmente. Novas estimativas mais detalhadas para 2026 serão apresentadas em julho. O recorde de superávit comercial do Brasil foi alcançado em 2023, com um saldo positivo de US$ 98,9 bilhões.
Em março deste ano, o Brasil registrou um superávit de US$ 6,4 bilhões, impulsionado principalmente pela indústria extrativa, com destaque para o petróleo. As exportações cresceram 36,4% neste segmento, enquanto a indústria de transformação (+5,4%) e a agropecuária (+1,1%) também apresentaram resultados positivos. As importações, por outro lado, tiveram um aumento generalizado, com destaque para bens de consumo (+54,4%) e bens de capital (+26,5%).
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o país já projeta um superávit de US$ 14,1 bilhões, superando os US$ 9,6 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. O Mdic reforça que fatores como a atividade econômica, o câmbio e os preços internacionais continuarão a influenciar as projeções, que poderão ser ajustadas conforme a evolução do cenário global.


