O faturamento real da indústria de transformação apresentou um crescimento de 4,9% em fevereiro, conforme divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Este resultado positivo sucede o avanço de 1,3% observado em janeiro, culminando em um aumento acumulado de 6,2% quando comparado a dezembro do ano anterior. Contudo, a entidade ressalta que esta sequência não sinaliza uma recuperação robusta do setor, que ainda enfrenta desafios como as altas taxas de juros e a desaceleração econômica.
Ao analisar o desempenho em relação ao mesmo período do ano anterior, o cenário se mostra desfavorável. No primeiro bimestre, o faturamento da indústria recuou 8,5%, uma queda que, segundo a CNI, reflete mais uma base de comparação enfraquecida do que uma melhora estrutural. Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, pondera que é prematuro identificar uma reversão completa do quadro negativo observado desde a segunda metade do ano passado.
Em relação à produção, as horas trabalhadas registraram um aumento de 0,7% em fevereiro, marcando o segundo avanço consecutivo. Apesar disso, o indicador acumula uma retração de 2,7% quando comparado ao primeiro bimestre do ano anterior. A CNI explica que este recente aumento apenas mitiga parcialmente as perdas ocorridas na segunda metade de 2025.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) mostrou um leve recuo, passando de 77,5% em janeiro para 77,3% em fevereiro. No acumulado do bimestre, o nível de utilização está 1,6 ponto percentual abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
No mercado de trabalho, os indicadores permaneceram praticamente inalterados. O emprego na indústria caiu 0,1% em fevereiro em relação a janeiro, e o acumulado do primeiro bimestre apresenta uma retração de 0,4% frente ao ano anterior. A massa salarial e o rendimento médio não registraram variações significativas no mês. No acumulado do ano, a massa salarial teve uma alta de 0,9%, e o rendimento médio cresceu 1,4% em comparação com o mesmo período de 2025.


