O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento, manteve sua previsão de crescimento de 1,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2024. A projeção considera o cenário de incertezas geopolíticas globais, incluindo o conflito no Oriente Médio, que impacta os preços internacionais do petróleo.

Apesar do ambiente externo de elevada tensão, o Ipea sinaliza otimismo moderado com a economia brasileira, conforme detalhado na Carta de Conjuntura nº 70. O instituto destaca a resiliência de dinâmicas internas, como o avanço contínuo da renda disponível das famílias e a expansão do crédito.

O consumo das famílias, impulsionado pela valorização real do salário mínimo, é apontado como um dos principais vetores de crescimento. Adicionalmente, o crédito mais acessível tende a estimular investimentos privados, outro componente crucial para a expansão do PIB. A conta do PIB também engloba as despesas governamentais e o saldo da balança comercial.

Em relação às contas públicas, o Ipea prevê a continuidade da política do novo arcabouço fiscal, que combina o aumento de gastos sociais com a elevação das receitas. Essa estratégia está alinhada à política de valorização salarial e à reindexação de despesas em saúde.

No comércio exterior, o instituto estima que políticas fiscais expansionistas, impulsionadas por investimentos em inteligência artificial e gastos com armamentos decorrentes do conflito no Oriente Médio, possam beneficiar as exportações. O Ipea relembra que eventos globais anteriores, como a guerra na Ucrânia, não impediram o crescimento do comércio mundial.

Caso a projeção de 1,8% para 2024 se concretize, a soma do crescimento do PIB entre 2023 e 2026 pode atingir 10,7%, superando os dois quadriênios anteriores. A estimativa do Ipea para o PIB em 2027 é de um crescimento de 2%.