O mercado financeiro brasileiro registrou um dia de forte valorização nesta sexta-feira, com o dólar comercial caindo para R$ 5,01, o menor patamar em mais de dois anos, enquanto a bolsa de valores (Ibovespa) alcançou um novo recorde histórico. O cenário foi impulsionado por um maior apetite por risco no cenário global e pela repercussão de dados econômicos internos.

A moeda americana encerrou o pregão em queda acentuada, acompanhando um movimento de maior otimismo internacional. Paralelamente, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, engatou seu nono pregão consecutivo de alta, aproximando-se da marca simbólica de 200 mil pontos pela primeira vez. Este desempenho foi alavancado pela entrada expressiva de capital estrangeiro e por um sentimento positivo em relação ao panorama global.

Um ambiente externo mais favorável, com expectativas de desescalada de tensões no Oriente Médio, também contribuiu para a valorização de ativos em economias emergentes, como o Brasil. No âmbito doméstico, os investidores analisaram a divulgação da inflação oficial de março, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou alta de 0,88%. Este indicador, superior às projeções, reforçou as expectativas sobre a trajetória da política de juros no país.

A divisa americana fechou o dia cotada a R$ 5,011, com uma desvalorização de 1,02%. Na semana, o dólar acumulou uma queda de 2,9%, e no ano, a desvalorização soma 8,72%. Analistas atribuem essa trajetória a uma combinação de fatores, incluindo o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, o desempenho robusto das exportações de commodities e o alívio geopolítico, que diminui a procura por ativos de refúgio. Adicionalmente, o IPCA acima do esperado fortaleceu a perspectiva de juros elevados no Brasil, tornando o real mais atrativo para investidores internacionais.

O Ibovespa, por sua vez, avançou 1,12%, terminando o dia aos 197.324 pontos, superando seu recorde anterior. Durante o pregão, o índice chegou a ultrapassar os 197,5 mil pontos. Esta sequência de 16 fechamentos recordes consolida a melhor performance da bolsa brasileira em meses. O fluxo de capital estrangeiro tem sido um dos principais motores dessa alta, com entrada líquida significativa em investimentos de carteira nos últimos 12 meses, segundo dados do Banco Central. Esse movimento tem impulsionado o real e criado um ciclo positivo para os ativos brasileiros.

No mercado de petróleo, os preços apresentaram leve recuo, com investidores atentos às negociações diplomáticas relacionadas ao Oriente Médio. O barril do tipo Brent fechou em queda de 0,75%, a US$ 95,20, enquanto o WTI registrou baixa de 1,33%, a US$ 96,57. Apesar das oscilações, os preços mantêm uma relativa estabilidade, com o mercado aguardando desdobramentos do conflito na região e conversas diplomáticas em curso.