Analistas do mercado financeiro revisaram para cima a expectativa para a inflação oficial do Brasil em 2024. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,36% para 4,71%, conforme aponta a última edição do Boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central (BC).

Esta é a quinta semana consecutiva de elevação na previsão inflacionária, que agora ultrapassa o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta para este ano é de 3%, com uma margem de tolerância que permite variações entre 1,5% e 4,5%.

A revisão das expectativas ocorre em um cenário de incertezas, intensificadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Em março, a inflação oficial registrou alta de 0,88%, impulsionada principalmente pelos setores de transportes e alimentação, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado em 12 meses até março foi de 4,14%.

Para os anos seguintes, as projeções também foram atualizadas. A estimativa de inflação para 2027 passou de 3,85% para 3,91%. Para 2028 e 2029, as previsões se mantêm em 3,6% e 3,5%, respectivamente.

No que diz respeito à taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, a expectativa para o final de 2026 é de 12,5%. As projeções para 2027 e 2028 apontam para uma redução para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente, chegando a 9,75% em 2029.

O Banco Central utiliza a Selic como principal ferramenta para controlar a inflação. Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa. Contudo, as incertezas globais podem levar o BC a reavaliar o ritmo de redução dos juros.

Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento para 2024 permaneceu em 1,85%. As projeções para 2027, 2028 e 2029 indicam expansão econômica de 1,8% e 2% ao ano, respectivamente.

A cotação do dólar ao final de 2024 está projetada em R$ 5,37, com previsão de R$ 5,40 para o final de 2027.