O Brasil e o Paraguai estão avançando nas negociações para definir uma nova estrutura tarifária para a energia gerada pela Usina Hidrelétrica de Itaipu, com expectativas de uma redução significativa no valor a partir de 2027. A informação foi confirmada por Enio Verri, diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, em entrevista concedida em Foz do Iguaçu (PR).
Verri expressou otimismo quanto ao desfecho das conversas, indicando que um anúncio oficial sobre a nova tarifa pode ocorrer até dezembro deste ano. “A partir do ano que vem seremos a menor tarifa do país”, garantiu o diretor, ressaltando o impacto social e econômico de uma energia mais acessível para residências, trabalhadores e indústrias.
A definição tarifária para os próximos anos é um ponto crucial nas revisões do Anexo C do Tratado de Itaipu, que regula as bases financeiras da usina binacional. Em 2024, um acordo preliminar estabeleceu que o custo da energia consideraria apenas as despesas operacionais, com projeções entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt/mês. Contudo, o custo efetivo para o consumidor brasileiro atualmente é de US$ 17,66 kW/mês, graças a um aporte extraordinário de US$ 285 milhões para manter a modicidade tarifária.
O tratado, firmado em 1973, prevê uma revisão de suas bases financeiras após 50 anos, com o Anexo C sendo o foco principal das discussões atuais. Enquanto o Brasil busca reduzir o preço da energia para seus consumidores, o Paraguai visa aumentar a receita da usina para financiar seu desenvolvimento. A energia de Itaipu, que representa cerca de 8% do consumo brasileiro, é igualmente dividida entre os dois países, mas o Paraguai consome apenas metade de sua cota.
Uma das propostas em debate é a possibilidade de o Paraguai comercializar sua cota de energia no mercado livre brasileiro. A tomada de decisões na diretoria de Itaipu, composta por representantes de ambos os países, exige consenso, o que demanda negociações cuidadosas entre os governos. A revisão final do Anexo C dependerá da aprovação dos parlamentos brasileiro e paraguaio.
Com 20 unidades geradoras e uma capacidade instalada de 14 mil megawatts, Itaipu é uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo em capacidade e frequentemente lidera a produção anual de energia. Atualmente, a usina também está em processo de atualização tecnológica, com investimentos previstos de US$ 900 milhões até 2035 para modernizar sistemas eletrônicos e computacionais, visando aumentar a eficiência e a produtividade.


