O conturbado processo de cassação do prefeito de Caapiranga, Matulinho Braz, e de seu vice entra em uma fase decisiva nesta quinta-feira, quando o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) deve finalmente analisar o recurso que pode afastá-los em definitivo do cargo. O caso, que ganhou repercussão após denúncias graves envolvendo as eleições de 2024, mantém a população do município em expectativa e apreensão.

Localizada a 133 quilômetros de Manaus, Caapiranga se tornou palco de um dos episódios mais polêmicos do último pleito. As investigações apontam para a suposta contratação em massa de servidores temporários, com recursos que teriam sido desviados da área da saúde, em troca de apoio eleitoral — um esquema que teria sido determinante para a vitória da atual gestão.

O julgamento, aguardado há meses, havia sido interrompido desde 12 de dezembro do ano passado, quando o processo foi retirado de pauta. Agora, sob relatoria da desembargadora Vânia Marques Marinho, o caso retorna ao plenário em meio a forte pressão popular e política.

Em primeira instância, a Justiça Eleitoral já havia determinado a cassação do prefeito e do vice, além de declarar a inelegibilidade por oito anos de Matulinho Braz e de seu tio, o ex-prefeito Francisco Braz, conhecido como “Tico Braz”. Apesar disso, ambos permanecem nos cargos, amparados pela legislação eleitoral, que permite o exercício do mandato até o julgamento final pelo TRE-AM.

Nos bastidores, o clima é de tensão. A defesa tenta adiar o desfecho: nesta segunda-feira, o advogado dos investigados solicitou o adiamento da sessão, alegando viagem e ausência de Manaus. Até o momento, no entanto, o julgamento segue mantido.

Paralelamente, crescem os rumores de interferência política no andamento do processo — ainda que sem comprovação formal. Declarações recentes em eventos públicos inflamaram ainda mais o debate. Em um vídeo que circula nas redes sociais, o deputado federal Átila Lins (PSD) afirma, em discurso, que ele e o senador Omar Aziz atuariam para evitar a cassação do prefeito, sugerindo possíveis articulações nos bastidores e ingerência no Poder Judiciário Eleitoral do Amazonas.

Caso o TRE-AM confirme a decisão de primeira instância, Caapiranga poderá enfrentar uma eleição suplementar, abrindo um novo capítulo em uma crise política que já mobiliza toda a cidade.

O caso já tem parecer favorável do Ministério Público Federal, junto ao TRE-AM, pela manutenção da cassação dos mandados de prefeito e vice.

Enquanto isso, a população aguarda, com ansiedade e desconfiança, o desfecho de um caso que pode redefinir os rumos políticos do município.

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