Investigação apura esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de entretenimento, artistas e influenciadores; PF também prendeu cantores e bloqueou bens
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (16) uma ampla operação em São Paulo que resultou na prisão de empresários ligados a duas das maiores produtoras de funk do país. A ação, batizada de Operação Narco Fluxo, mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro com movimentação financeira bilionária, incluindo recursos no Brasil e no exterior.
Segundo a investigação, os proprietários das empresas Love Funk e GR6 Eventos foram detidos temporariamente após determinação da Justiça Federal. A PF aponta que as empresas teriam atuado como canais para a ocultação e dissimulação de valores de origem ilícita, em um grupo que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão somente no território nacional.
O operador financeiro da Love Funk, identificado como Henrique Alexandre Barros Viana — conhecido no meio artístico como “Rato” — e o sócio da GR6, Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, foram levados pela PF em São Paulo e litoral paulista, onde a investigação aponta transações suspeitas sem comprovação de origem lícita.
As apurações mostram que os negócios das produtoras não se limitaram a contratos e shows: conforme relatórios da inteligência financeira, as movimentações financeiras chamaram a atenção dos investigadores por não refletirem o faturamento declarado e por estarem associadas a figuras ligadas ao crime organizado. A PF investiga ainda se recursos foram dissimulados por meio de transações cruzadas e uso de bens de alto valor.
A operação cumpriu dezenas de mandados — entre prisões temporárias, busca e apreensão — em múltiplas regiões do país. Além dos empresários, o cantor de funk MC Ryan SP, o artista MC Poze do Rodo, o influenciador dono da página Choquei e outras pessoas também foram detidos, e a Justiça determinou o bloqueio de bilhões em bens de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo.
A PF afirmou que os envolvidos podem responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Até o momento, as defesas dos detidos divulgaram notas afirmando que todas as transações eram regulares, com contratos e documentação fiscal, e negando qualquer irregularidade.


