Uma análise socioeconômica sugere que o Brasil pode perder cerca de R$ 47 bilhões em receita e benefícios ao priorizar a exploração de petróleo na Foz do Amazonas em detrimento de investimentos em energias renováveis e biocombustíveis. O estudo, divulgado pela WWF-Brasil, detalha que essa projeção considera R$ 22,2 bilhões em perdas associadas à exploração de combustíveis fósseis na Margem Equatorial e outros R$ 24,8 bilhões que deixariam de ser gerados pela falta de investimentos na eletrificação.
A metodologia empregada, a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), recomendada pelo Tribunal de Contas da União, avaliou os ganhos e perdas de longo prazo para a sociedade. Daniel Thá, consultor da WWF-Brasil, explica que o método é sistemático e transparente, focado no retorno para todos os envolvidos – governo, empresas e famílias –, e não apenas no lucro privado ou nos impostos arrecadados.
O estudo modelou um cenário de exploração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas ao longo de 40 anos, considerando dez anos para prospecção e desenvolvimento, e 30 anos de operação. A projeção baseia-se em uma reserva estimada de 900 milhões de barris, com capacidade de extração diária de 120 mil barris. Financeiramente, mesmo com o preço atual do barril acima de US$ 100, a análise financeira direta com um valor de US$ 39 por barril aponta lucro para as empresas, um cenário que, segundo Thá, depende de um mundo com pouca ação climática.
Contudo, ao incorporar os efeitos colaterais, como as emissões de gases de efeito estufa – estimadas em 446 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, principalmente na fase de consumo –, o custo social do carbono pode variar entre R$ 21 a R$ 42 bilhões em prejuízos. Esses impactos negativos levam o saldo líquido da exploração petrolífera a uma perda estimada de R$ 22,2 bilhões em 40 anos, pois os custos de exploração e produção, somados às externalidades, superam os benefícios gerados.
Em comparação, a rota da eletrificação, que utiliza 50% de energia eólica, 42% de solar fotovoltaica, 4% de biomassa e 4% de biogás, apresenta um retorno positivo de quase R$ 25 bilhões. Essa alternativa, que pode ser implementada imediatamente, oferece o mesmo serviço energético com custos e impactos ambientais significativamente reduzidos. Já o cenário de biocombustíveis, apesar de custos operacionais mais elevados em comparação ao petróleo, gera um prejuízo de externalidades menor, resultando em um custo total R$ 29,3 bilhões inferior ao da rota fóssil.
A Margem Equatorial, que inclui a bacia da Foz do Amazonas, é vista pela Petrobras como uma nova fronteira estratégica para garantir o suprimento de petróleo do país e financiar a transição energética. No entanto, a região é ecologicamente sensível, abrigando rica biodiversidade e ecossistemas importantes, o que intensifica o debate sobre os riscos ambientais frente aos potenciais benefícios econômicos da exploração de petróleo.


