Um estudo inédito realizado em Portugal revela que 41 empresas, somando mais de mil funcionários, implementaram voluntariamente a jornada de trabalho de quatro dias, com três dias de folga (escala 4×3). A pesquisa, divulgada pelo professor de economia da Universidade de Londres, Pedro Gomes, autor do livro “Sexta-Feira é o Novo Sábado”, sugere que a redução da jornada não apenas é viável, mas pode trazer benefícios significativos para a economia e a sociedade.
Gomes argumenta que o aumento da produtividade por hora trabalhada é um fator chave para compensar a diminuição do tempo em atividade. Segundo o estudo, mais de 90% das empresas que adotaram a escala reduzida não registraram custos financeiros adicionais. Pelo contrário, 86% delas relataram aumento de receita em comparação ao ano anterior, e cerca de 70% observaram melhorias nos processos internos após a mudança.
As principais adaptações organizacionais incluíram a otimização da duração das reuniões e a flexibilização da escala de trabalho em dias de menor movimento de clientes, permitindo que o comércio permaneça aberto sem a necessidade de todos os funcionários presentes simultaneamente. Esses ajustes contribuem para um melhor ambiente de trabalho, redução do absenteísmo e maior atratividade para novos talentos.
O economista destaca que a consolidação da indústria do lazer e entretenimento é um efeito colateral positivo da jornada reduzida. Com mais tempo livre, os trabalhadores se tornam consumidores ativos, impulsionando setores como turismo, cultura e serviços. Gomes relembra exemplos históricos, como a redução da jornada para 40 horas semanais nos Estados Unidos em 1926, que impulsionou a indústria cinematográfica, e a adoção do fim de semana de dois dias na China, que transformou o mercado de turismo interno.
Para o Brasil, Gomes avalia que o país tem potencial para reduzir a jornada para 40 horas semanais e abolir a escala 6×1. Ele refuta estudos que preveem queda no PIB, citando dados históricos globais que indicam um crescimento médio do PIB após reformas trabalhistas que reduziram a jornada. A redução do tempo gasto em deslocamento casa-trabalho no Brasil é vista como mais um fator que justifica a adoção de jornadas mais curtas, visando a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e a redução de custos para as empresas.


