O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (29) para definir a taxa Selic, em meio a um cenário global complexo marcado pela guerra no Oriente Médio, que impacta os preços de combustíveis e pressiona a inflação. Apesar das incertezas, o mercado financeiro projeta a segunda redução consecutiva dos juros básicos.
A taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, atingiu 15% em março, seu patamar mais elevado em quase duas décadas. A expectativa, segundo a pesquisa Focus do BC, é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,5% ao ano.
A decisão do Copom, que será anunciada no início da noite, ocorre em um momento de desfalques na diretoria do colegiado. Os mandatos de dois diretores já expiraram sem que o presidente Lula indicasse substitutos ao Congresso, e um terceiro diretor se ausentará por motivo de luto familiar.
A ata da última reunião, em março, já indicava uma postura mais cautelosa do BC quanto aos futuros cortes de juros. Com a escalada das tensões no Oriente Médio, a autoridade monetária sinalizou que a trajetória da Selic dependerá da evolução de novos dados econômicos.
A inflação tem sido um ponto de atenção. A prévia oficial, o IPCA-15, acelerou para 0,89% em abril, impulsionada por combustíveis e alimentos, acumulando alta de 4,37% em 12 meses. As projeções para 2026 também foram elevadas, superando o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com tolerância de até 4,5%.
A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Seu aumento visa conter a demanda, encarecendo o crédito e incentivando a poupança, o que pode desacelerar a economia. Por outro lado, sua redução tende a baratear o crédito, estimular o consumo e a produção, impulsionando a atividade econômica.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. Em suas reuniões, são apresentados diagnósticos técnicos sobre as economias brasileira e global, e o comportamento dos mercados. Em seguida, os membros do BC definem a taxa de juros.
Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, onde a meta de 3% (com intervalo de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos) é verificada mês a mês pela inflação acumulada em 12 meses. O Banco Central revisou suas projeções para o IPCA em 2026, mas o cenário de conflitos internacionais pode exigir novas avaliações.


