O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), popularmente conhecido como “inflação do aluguel”, registrou uma alta de 2,73% em abril. Este é o maior avanço mensal do indicador desde maio de 2021, quando o índice acumulou 4,10%. A escalada é diretamente atribuída aos impactos do conflito geopolítico no Oriente Médio, que afetaram cadeias produtivas e o custo de bens e serviços no Brasil.

Em março, o IGP-M havia apresentado uma variação de 0,52%, e em abril de 2023, o índice foi de 0,24%. Com o resultado de abril, o indicador interrompe uma sequência de cinco meses consecutivos de deflação (inflação negativa), acumulando uma alta de 0,61% nos últimos 12 meses.

Segundo Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), os efeitos do conflito foram sentidos em todos os índices apurados. “Todos os índices registraram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz”, afirmou Dias.

No segmento produtor, o grupo de matérias-primas brutas teve uma elevação de quase 6%, impulsionada pelo choque de oferta gerado pela guerra. Houve também repasses significativos nos preços de produtos da cadeia petroquímica, como embalagens plásticas, itens de grande relevância no varejo.

O economista destacou que os preços ao consumidor refletiram de maneira acentuada o aumento nos combustíveis. A gasolina, por exemplo, subiu em média 6,3% em abril, enquanto o óleo diesel teve um aumento expressivo de 14,9%. Essa elevação nos combustíveis não apenas impacta os custos de transporte, mas também se dissemina para outros setores, como o de alimentos, devido ao encarecimento do frete.

O agravamento da situação no Oriente Médio, iniciado em fevereiro, afeta diretamente a logística internacional de petróleo e gás, uma vez que a região é responsável por uma parcela significativa da produção mundial e o Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial. O bloqueio ou a instabilidade na região podem levar à redução da oferta e, consequentemente, ao aumento dos preços dessas commodities no mercado global, com reflexos diretos no Brasil.

Para mitigar esses efeitos, o governo brasileiro tem implementado medidas como isenção de impostos e subsídios para produtores e importadores de derivados de petróleo.

O IGP-M é composto por três índices: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), com peso de 60%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com 30%, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), com 10%. Em abril, o IPA avançou 3,49%, o IPC subiu 0,94% e o INCC registrou alta de 1,04%.

O IGP-M é amplamente utilizado para o reajuste de contratos de aluguel e de tarifas públicas, o que explica sua denominação popular de “inflação do aluguel”. A coleta de dados para o cálculo do índice em abril foi realizada entre os dias 21 de março e 20 de abril, abrangendo sete capitais brasileiras.