PCC e CV comandam presídios, incluindo os do Amazonas, ditam suas próprias regras nas comunidades e favelas e avançam na economia e na política. Tudo pela total falta de atuação do estado e de planejamento integrado aponta o documentário da Rede Globo.
O avanço das facções criminosas e a fragilidade do Estado brasileiro no enfrentamento ao crime organizado são os eixos centrais do documentário “Territórios sob o domínio do crime”, lançado nesta quinta-feira (30) pela plataforma Globoplay.
A produção revela, com base em dados oficiais e depoimentos inéditos, como grupos criminosos se expandiram por todo o país, infiltrando-se não apenas nas periferias, mas também no sistema penitenciário, na economia e até em estruturas políticas.
Segundo levantamento apresentado no documentário, ao menos 88 facções criminosas estão atualmente espalhadas por todos os estados brasileiros — dado atribuído à Secretaria Nacional de Políticas Penais. O número escancara a dimensão de um problema que deixou de ser regional para se tornar uma crise nacional de segurança pública.
DOMÍNIO TERRITORIAL E NO SISTEMA PRISIONAL
A produção mostra que, em diversas regiões, o Estado perdeu espaço para organizações criminosas que passaram a exercer controle direto sobre comunidades inteiras. A ausência de políticas públicas consistentes e a baixa presença estatal em áreas vulneráveis são apontadas como fatores determinantes para esse avanço das facções.
No sistema penitenciário, o cenário é ainda mais crítico. O documentário revela que grande parte das unidades prisionais brasileiras já opera sob influência direta de facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital. No Amazonas, por exemplo, presídios são citados como territórios estratégicos dessas organizações, que utilizam o sistema carcerário como base operacional para comandar atividades ilícitas fora dos muros.
CRIMES DIVERSIFICADOS
A investigação também aponta que o crime organizado brasileiro ultrapassou fronteiras, estabelecendo conexões com países da América do Sul. As facções atuam em redes sofisticadas que envolvem o tráfico de drogas e armas, ‘lavagem’ de dinheiro em larga escala, controle de rotas internacionais e infiltração em setores da economia formal.
Especialistas ouvidos destacam que essas organizações passaram a operar com lógica empresarial, diversificando atividades e ampliando sua capacidade de influência.
FALHAS ESTRUTURAIS DO ESTADO
Um dos pontos mais contundentes do documentário é a identificação das principais falhas do poder público no combate ao crime organizado, tais como a ausência de um plano nacional integrado de segurança pública; fragilidade no controle do sistema penitenciário; baixa presença do Estado em áreas dominadas por facções; deficiência em inteligência e investigação financeira e a falta de coordenação entre forças de segurança.
Para analistas, o crescimento das facções está diretamente ligado a décadas de omissão, políticas descontinuadas e falta de estratégia de longo prazo.
COMO CONTER O AVANÇO DAS FACÇÕES
Embora o cenário apresentado seja alarmante, especialistas apontam caminhos possíveis para conter o avanço das facções. Entre esses caminhos, está o fortalecimento da presença estatal em áreas vulneráveis; reforma profunda do sistema prisional; integração entre inteligência policial e órgãos inanceiros; combate efetivo à lavagem de dinheiro; cooperação internacional contra o crime transnacional e políticas sociais voltadas à prevenção.
O consenso é de que ações isoladas não serão suficientes. O enfrentamento exige coordenação nacional, continuidade de políticas públicas e atuação simultânea em diferentes frentes.
DEBATES SOBRE O TEMA
“Territórios sob o domínio do crime” chega ao público como um retrato duro da realidade brasileira, trazendo relatos de especialistas, autoridades e cidadãos impactados diretamente pela violência. Mais do que um diagnóstico, o documentário levanta um alerta: sem ação coordenada e presença efetiva do Estado, o poder das facções tende a se expandir ainda mais, aprofundando uma crise que já atinge todas as regiões do país.
NO AMAZONAS
No Amazonas, um dos estados mostrados no documentário, os presídios são dominados pelas facções, onde faccionados e lideranças presas, coordenam crimes de dentro dos presídios, impondo inclucive cobrança de pedágios, senetnças fatais do chamado ‘Tribunal do Crime”, além de delimitar territórios com os respectivos líderes .
Relatos apontam que familiares de presos são obrigados a pagar determinada facção para que o parente preso não sofrer agressões ou punições severas dos lideres internos. A casos de homicídios travestidos de ‘suicídios’ aos montes nos últmos anos na capital.
O próximo governador do Amazonas, terá que rever políticas públicas na área de seguraça pública, restabelecer controle efetivo das comuniddes tomadas pelo crime organizado e as facções, bem como criar políticas públicas voltadas as populações que hoje são ‘reféns’ desse ‘estado paralelo’ em que vivem.
Imagens: reprodução da reportegem da globo mostrada no Jornal Nacional desta quinta-feira, 30.





