O Brasil vive um cenário persistente e preocupante quando o assunto é desaparecimento de pessoas. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o país registrou mais de 82 mil desaparecimentos em 2022, cerca de 77 mil em 2023 e aproximadamente 81 mil em 2024, chegando a 84.760 casos em 2025, o equivalente a cerca de 232 desaparecimentos por dia .

Em 2024, por exemplo, mais de 66 mil registros oficiais foram contabilizados, evidenciando a dificuldade histórica de consolidação de dados.

Para especialistas, o fenômeno é complexo e multifatorial, sendo agravado pela dimensão territorial do país e pela subnotificação — em média, uma pessoa desaparece a cada 10 minutos no Brasil .

No Amazonas, o cenário segue a tendência nacional, mas com características próprias.

Levantamentos do sistema de segurança pública mostram que o estado registrou 967 desaparecidos em 2024 e 982 em 2025, uma média de cerca de três casos por dia.

A capital Manaus concentra a maior parte das ocorrências, sobretudo entre crianças e adolescentes. Apenas em 2025, foram 301 casos envolvendo menores, enquanto a maioria dos desaparecidos pertence à faixa adulta (18 a 63 anos), com predominância de homens.

POLÍCIA CIVIL DO AMAZONAS DIVULGA IMAGENS DE DOIS DESAPARECIDOS

Informações podem repassar pelos números (92) 3667-7713, da Deops; (92) 99962-2441 da Depca; 197 ou (92) 3667-7575, da PC-AM; e 181, da SSP-AM;

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio das Delegacias Especializadas em Ordem Política e Social (Deops) e em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), divulga as imagens de duas pessoas que desapareceram em datas e locais distintos de Manaus. Os desaparecidos são Maria Gabriely da Silva, de 16 anos, desapareceu na quinta-feira (23/04), na rua Pinhão Paraguaio, bairro Coroado, zona leste e Tiago da Silva Pantoja, de 33 anos, fez contato com a família por aplicativo de mensagens na segunda-feira (20/04), e sua última localização registrada foi na rua Akil Bazzi, bairro Cidade Nova, na zona norte.

A PC-AM solicita que quaisquer informações que possam ajudar na localização dos desaparecidos sejam repassadas pelos números: (92) 3667-7713, da Deops; (92) 99962-2441, da Depca; 197 e (92) 3667-7575, da PC-AM; ou 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

Dados de 2026 indicam que somente em janeiro já haviam sido registrados dezenas de novos casos, reforçando a continuidade do problema.

Especialistas em segurança pública e investigações, incluindo análises históricas de órgãos como as Delegacias de Ordem Política e Social (DEOPS), apontam que os desaparecimentos têm causas diversas. Entre os principais fatores estão conflitos familiares, evasão voluntária, dependência química, violência urbana e envolvimento com o crime organizado.

Há também registros de desaparecimentos associados a redes criminosas, como tráfico de pessoas, exploração sexual e, em menor escala documentada, suspeitas de tráfico de órgãos — embora este último seja considerado raro e de difícil comprovação no Brasil.

Em regiões amazônicas, somam-se ainda conflitos fundiários, garimpo ilegal e crimes ambientais, que aumentam a vulnerabilidade de populações isoladas.

MAIORIA DOS CASOS EM ÁREAS URBANAS

Outro dado relevante é a distribuição geográfica: a maioria dos casos ocorre em áreas urbanas, especialmente nas capitais, onde há maior densidade populacional e registro policial. No entanto, especialistas alertam que desaparecimentos em municípios do interior podem ser subnotificados, sobretudo em áreas de difícil acesso na Amazônia.

Crianças e adolescentes representam cerca de 30% dos casos no país, o que acende alerta para vulnerabilidades sociais e digitais, como aliciamento online.

DESAPARECIMENTOS NO MUNDO

No cenário internacional, estudos acadêmicos e organismos de segurança indicam que o aumento de desaparecimentos está ligado a fatores globais como urbanização acelerada, migração irregular, desigualdade social e expansão do crime transnacional.

Pesquisas também destacam a dificuldade de coleta de dados padronizados, especialmente em países em desenvolvimento, o que pode mascarar números ainda maiores.

O consenso entre especialistas é que o desaparecimento de pessoas deixou de ser apenas um problema policial e passou a ser um fenômeno social complexo, exigindo integração entre tecnologia, políticas públicas e cooperação internacional.

Diante desse panorama, autoridades brasileiras vêm ampliando políticas de busca e localização, mas o desafio permanece: milhares de famílias seguem sem respostas, enquanto os números continuam a crescer ano após ano, com o Amazonas figurando como um dos estados que exigem atenção constante das forças de segurança e da sociedade.

MILHÕES DE DESAPARECIDOS

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, existem cerca de 284 mil pessoas oficialmente registradas como desaparecidas no mundo em bancos de dados internacionais, porém, esse número é apenas a “ponta do iceberg”.

Especialistas afirmam que o total real pode chegar a milhões de pessoas desaparecidas ao redor do planeta.

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A resposta direta — e honesta — é a seguinte: não existe um número exato de pessoas desaparecidas no mundo neste momento, nem no Brasil ou no Amazonas. Isso porque muitos casos nunca são registrados, outros são resolvidos sem atualização oficial, e há enormes falhas de integração entre países e sistemas. Mas existem estimativas confiáveis usadas por governos e organismos internacionais.

Outro dado importante é que nos últimos 5 anos, houve aumento de quase 70% nos registros globais, mostrando que o problema está crescendo. O Brasil registra cerca de 84 mil desaparecimentos por ano, mas sem todos continuam desaparecidos. Aproximadamente 60%  ou 70% das pessoas são encontradas.

Mas dezenas de milhares de brasileiros seguem desaparecidos permanentemente. Há casos antigos que nunca foram solucionados.

Falta de atualização de dados; famílias que não informam reencontro; investigações interrompidas e crimes ocultos (corpos não encontrados) dificultam as confirmações e dados precisos dos casos no Brasil.

No Amazonas, os dados mais recentes indicam que aproximadamente 900 a 1.000 desaparecimentos por ano, perfazendo uma média de 2 a 3 pessoas por dia.

O dado mais importante (e mais preocupante) é que uma parte significativa dos desaparecidos nunca é encontrada e os motivos mais associados aos casos sem solução são homicídios cujos corpos não são localizados, tráfico de pessoas e exploração sexual; envolvimento com facções criminosas; conflitos em áreas isoladas (caso típico da Amazônia); migração ilegal ou fuga voluntária

FOTOS: Divulgação/PC-AM