Incluo, nesta celebração, os nomes de três artistas plásticos que renovaram de forma expressiva as artes plásticas no Amazonas, talvez por isso, sofram ainda a marca da invisibilidade de suas obras, refiro-me a Hahnemann Bacelar, Van Pereira e Roberto Cravo. Marcio Souza, com seu Expressão Amazonense deu protagonismo a arte de Hahnemann, da mesma forma Thiago em suas memórias em conversa com Gabo, nobel de literatura, acentua a admiração do autor de cem anos de solidão, pela obra de Hahnemann, quando apresentou a ele. Van Pereira era o mais técnico deles um traço firme elegância ao resgatar a tradição ancestral amazonica, com vários prêmios, e ainda inigualável ilustrador, cultuado por Anibal Beça, ilustrou os filhos da varzea do poeta. Sobre Roberto,ficará pra eternidade como ficaram gênios das artes que não temos guardadas as suas obras mas foram decantados em narrativas como as de Jose Rocha e Jose Ribamar Mitoso, quando da morte do artista em 2014, no blog do Rocha. Em 1985, como superindente da SCA,Superintendencia Cultural do Amazonas, organizamos uma exposição coletiva artes plásticas, no espaço do Novo Hotel, afluência do turismo, expandir e divulgar os artistas, sair um pouco sa área do estado criar um mercado, era a minha idéia de gestor com escola no Banco da Amazônia. Os principais artistas aceitaram participar. Convidei Roberto Cravo, meu camarada de partidão, estava como naquela música ” é necessário uma viração pro Nestor”(seu grande amigo) – Guto, não tenho obra pra expor. Com quem conseguiriamos uma obra sua. Obra de qualidade só as que vendi pro Amadeu. Vou la falar com ele, falei. Convenci o Dr Amadeu, medico, carnavalesco da escola de samba Aparecida. Eram duas peças refinadas, coloca, Guto Rodrigues, 20 mil dolares em cada que não vão comprar. Determinou o preocupado Dr.Amadeu. Enfim, Roberto Cravo saia das masmorras criadas por uma elite estúpida e sanguinária que consternaram o maior escultor amazonense ao estigma e ao preconceito por ser negro, homossexual e comunista. Estava participando de uma coletiva de arte e ganhava os salões, com democracia e o quase fim da ditadura militar.
Chego na superintendência, uma euforia, a exposição um sucesso, gerente do hotel queria mais obras e queria conhecer o artista Roberto Cravo. Amadeu, veio depois furibundo, não perderia as peças por dinheiro algum.
Tínhamos nos precavido, com contrato que as obras já havia vendidas para o sr Dr Amadeu Pinto. Não foi fácil convencer um turista e o Gov. Gilberto Mestrinho que comprou a outra para levar de presente a visita a Moscou.
Hahnemann partiu cedo, 1971, Roberto Cravo em 2014, me deu a notícia o Amadeu, e Van Pereira, em 2018.
No início dos anos setenta, na noite que antecipava o festival lixo, na ponta Negra soube notícia do fim trágico de Hahnemann, com Van Pereira e Roberto Cravo reunimos em uma festinha do MOAM organizada pelo camarada Nestor Nascimento, me inspirou para compor uma música mlnha “Calango Livre”. Cravo dançava com a Rosa, uma militante ativista, era companheira do negro Stanley.
Viva os artistas plasticos amazonense, merecida homegagem faz o coletivo elas por elas, ao artista plástico Inácio Evangelista, nos seus 83 anos. Abraço tambem meu filho João Augusto Rodrigues.



