Uma nova crise atinge a gestão da Fundação Rádio e Televisão Cultura do Amazonas — atual Sistema Encontro das Águas — após um o repórter da emissora acusar o presidente da instituição, Oswaldo Lopes, de agressão física e verbal dentro das dependências da emissora.

O caso envolve o jornalista esportivo Samuel Cascaes, demitido pelo diretor, no último dia 29 de abril de 2026. Segundo relato registrado em Boletim de Ocorrência (BO nº2026_0000329814-7 ), o episódio ocorreu após um desentendimento considerado banal, dentro da redação jornalísticas da emissora. O profissional não teria cumprimentado o presidente ao não perceber sua presença em uma sala de edição.

De acordo com o documento policial, ao retornar à emissora no mesmo dia, para tentar dialogar com a direção, o jornalista afirma ter sido abordado de forma agressiva em uma escada interna do prédio. Ele relata ter sido alvo de xingamentos, como “repórter de merda” e “criminoso”, além de empurrões no peito e da exigência de retirar a camisa da emissora que vestia.

O caso já foi formalmente levado ao sindicato dos Jornalistas do Amazonas e levanta questionamentos sobre o ambiente de trabalho dentro da emissora pública.

HISTÓRICO DE DENÚNCIAS

A situação ganha contornos ainda mais graves diante de relatos adicionais que circulam entre profissionais da comunicação no Amazonas. Segundo fontes ouvidas, há menções a processos envolvendo o gestor em diferentes esferas, incluindo denúncias de assédio moral e outros conflitos judiciais.

Também há relatos de ações judiciais em Manaus movidas por profissionais da área, além de informações não confirmadas oficialmente sobre processos em outros estados. Essas alegações, no entanto, ainda carecem de confirmação formal por órgãos competentes e não foram detalhadas publicamente até o momento.

Oswaldo Lopes está à frente da emissora desde 2019, durante a gestão do então governador Wilson Lima, permanecendo no cargo na estrutura atual do governo.

Nos bastidores, servidores apontam problemas recorrentes na administração, incluindo denúncias de assédio moral contra funcionários; suposto uso indevido de recursos e estrutura da emissora; críticas à gestão financeira e decisões técnicas e alegações de desvio de função de servidores.

Há ainda relatos de constrangimento público de funcionárias dentro da redação, o que, se comprovado, pode caracterizar práticas abusivas no ambiente de trabalho.

Outro ponto levantado por fontes envolve viagens institucionais com uso de recursos da emissora. Entre elas, uma participação em evento internacional em Las Vegas, que teria incluído pagamento de diárias elevadas. Questionamentos também surgem sobre os critérios técnicos para escolha de integrantes dessas viagens.

Além disso, servidores relatam dificuldades operacionais no dia a dia da emissora, como falta de equipamentos e veículos para cobertura jornalística — o que contrasta com os gastos mencionados.

CLIMA INSUPORTÁVEL ENTRE COLABORAODRES

O ambiente dentro da emissora é descrito por funcionários como instável. Nos últimos meses, demissões e saídas voluntárias de profissionais têm sido registradas, incluindo nomes considerados relevantes na programação.

Relatos indicam ainda desgaste emocional entre trabalhadores, que apontam desvalorização profissional e falta de diálogo com a direção.

O caso ocorre em um momento de transição política no Amazonas, com mudanças na condução do governo estadual. Diante da repercussão, cresce a pressão para que haja um posicionamento oficial sobre a permanência do atual comando da emissora.

Até o momento, Oswaldo Lopes não se manifestou publicamente sobre as acusações. O espaço está aberto ao diretor da emissora estatal. A reportagem reforça que todas as informações relativas a denúncias e relatos foram apresentadas com base em registros, fontes e declarações disponíveis até o momento. O espaço segue aberto para manifestação do citado e de demais envolvidos.