O número de residências interditadas no bairro do Jaguaré, em São Paulo, subiu para 27 após a forte explosão ocorrida na última segunda-feira (11). Até o final da noite de quarta-feira (13), 112 imóveis haviam sido vistoriados, com 86 já liberados para seus moradores. As interdições ocorreram devido a danos estruturais mais graves identificados nas 27 propriedades.

As vistorias foram conduzidas por equipes da Defesa Civil do Estado de São Paulo, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), além de técnicos da Sabesp e Comgás. Uma nova avaliação será realizada nesta quinta-feira (14) para reexaminar as condições dos imóveis interditados.

Em relação às vítimas, 232 pessoas foram cadastradas e receberam um auxílio emergencial de R$ 5 mil para cobrir despesas imediatas, conforme divulgado pela Sabesp e Comgás. As famílias desabrigadas também estão sendo acomodadas em hotéis.

As concessionárias responsáveis afirmaram que todos os prejuízos materiais sofridos pelos moradores, incluindo a reconstrução das residências danificadas, serão integralmente ressarcidos. As equipes da Sabesp e Comgás já iniciaram os trabalhos de reforma nas unidades que já foram liberadas pelas vistorias técnicas.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) determinou que Sabesp e Comgás apresentem os primeiros esclarecimentos sobre o incidente até esta sexta-feira (15). A agência informou que a documentação será analisada como parte de um processo fiscalizatório para apurar as causas da explosão e definir as medidas cabíveis.

Para coordenar e acompanhar as ações emergenciais, o governo do estado criou a Gerência de Apoio do Jaguaré, conforme publicado no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (15). A nova gerência visa garantir o atendimento às vítimas e a restauração da área afetada.

A recente privatização da Sabesp, concluída em julho de 2024, tem sido alvo de debate. O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP) divulgou uma nota repudiando o que chamou de desmonte técnico do saneamento, classificando o ocorrido no Jaguaré como uma tragédia que exige apuração rigorosa e revisão das políticas de gestão. O sindicato alerta que a redução de equipes experientes e a terceirização podem comprometer a segurança das operações.

O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema) também já havia alertado sobre os riscos de acidentes decorrentes de demissões e diminuição das equipes de manutenção após a privatização.

Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a privatização da Sabesp. O julgamento, iniciado em março deste ano, foi suspenso após pedido de destaque do ministro Luiz Fux. O Partido dos Trabalhadores (PT) contesta o processo, alegando venda por preço abaixo do mercado e favorecimento de concorrentes.