O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, anunciou nesta sexta-feira (15) que o programa Desenrola Brasil já viabilizou a renegociação de R$ 820 milhões em dívidas. Lançado em maio pelo governo federal, a iniciativa visa auxiliar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a quitarem seus débitos, regularizarem seus nomes e restabelecerem o acesso ao crédito.
A nova etapa do programa, com duração de 90 dias, oferece descontos de até 90% e juros reduzidos. Uma das novidades é a possibilidade de utilizar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater dívidas, com previsão de início para o dia 25 de maio. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia sinalizado que o programa estava próximo de atingir R$ 1 bilhão em débitos negociados.
Vieira destacou, durante a apresentação do balanço trimestral do banco, que o uso do FGTS ainda apresenta um “gap”, ou seja, não tem sido amplamente utilizado nas negociações atuais. No entanto, a expectativa é de que essa modalidade ganhe força em breve.
Em outro ponto, o presidente da Caixa informou que o banco registrou um prejuízo de aproximadamente R$ 20 milhões no ano passado com o aplicativo Caixa Tem, devido a fraudes decorrentes de ataques cibernéticos. Em resposta, a instituição tem intensificado investimentos em tecnologia, com projeção de R$ 5,9 bilhões para este ano. Vieira afirmou que os ataques ao Caixa Tem estão, atualmente, “praticamente zero”.
O balanço financeiro da Caixa revelou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre, uma redução de 34,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa queda foi influenciada pelo aumento significativo nas provisões para perdas com crédito, mais que o dobro no período, alinhado a novas regras do Banco Central para cobertura de risco de inadimplência.
Apesar da redução no lucro, a carteira de crédito da Caixa manteve crescimento, impulsionada principalmente pelo setor imobiliário, onde o banco lidera. O volume total da carteira atingiu R$ 1,4 trilhão. A inadimplência encerrou o trimestre em 3,71%. A diretoria expressou tranquilidade em relação às carteiras imobiliária e de pessoa física e jurídica, mas indicou cautela com o setor do agronegócio, que representa 5% da carteira total e pode gerar impactos nas provisões ainda este ano, embora já se perceba um arrefecimento no crescimento da inadimplência neste segmento.


