A nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 17, acendeu o alerta máximo no Palácio do Planalto e mostrou que a corrida presidencial de 2026 entrou definitivamente em um cenário de imprevisibilidade.
O levantamento aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, consolidando o avanço da direita mesmo em meio às recentes denúncias envolvendo supostos pedidos de apoio financeiro para a produção de um filme ligado ao clã Bolsonaro.
O caso denunciado pelo portal The Intercept Brasil, aponta uma conversa por celular onde o senador Flávio Bolsonaro cobra o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, repasses para a conclusão do Filme sobre a vida do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, no valor de R$ 134 milhões.
Segundo os números divulgados, Lula e Flávio aparecem com 45% das intenções de voto em um cenário direto de segundo turno. Flávio também aparece com 45% da intenção de votos, mesmo depois do suposto escândalo. No primeiro turno, o petista mantém liderança apertada, mas já dentro da margem de erro em relação ao adversário do PL.
O dado político mais relevante do levantamento, no entanto, vai além dos números frios: as denúncias contra Flávio Bolsonaro praticamente não produziram impacto imediato no eleitorado conservador.
Mesmo após a repercussão dos áudios relacionados ao financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, a base bolsonarista reagiu com velocidade nas redes sociais e conseguiu transformar a crise em discurso de perseguição política.
Nas horas seguintes à divulgação do caso, influenciadores de direita, parlamentares aliados e perfis conservadores inundaram plataformas digitais com mensagens em defesa do senador.
O movimento digital ajudou a blindar parte do desgaste e reforçou um fenômeno que estrategistas políticos já observam desde 2018: a capacidade do bolsonarismo de reagir rapidamente no ambiente virtual, mobilizando militância orgânica e redes de apoio altamente engajadas.
Especialistas e cientistas em comunicação política avaliam que a direita brasileira mantém hoje uma estrutura digital mais agressiva e emocionalmente conectada ao eleitorado do que a esquerda governista.
O reflexo aparece justamente na resistência eleitoral de Flávio Bolsonaro, mesmo diante de episódios negativos. Em fóruns e redes sociais, apoiadores chegaram a minimizar o caso e classificaram a denúncia como tentativa de enfraquecer a candidatura antes do início oficial da campanha.
ELEITOR DESCONFIADO COM O GOVERNO
Do lado governista, o levantamento também expõe que a rejeição ao presidente Lula continua elevada e ainda representa um dos principais obstáculos para a tentativa de reeleição.
A pesquisa mostra índices altos de desgaste do petista, embora aliados reconheçam uma leve melhora no humor popular após o lançamento do programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas e recuperação de crédito para famílias endividadas.
Integrantes do governo avaliam que o programa ajudou Lula a recuperar parte da conexão com o eleitorado de baixa renda, especialmente nas periferias urbanas. Ainda assim, o efeito positivo não foi suficiente para reverter totalmente a percepção negativa da economia entre setores da classe média e do empresariado.
TAXAÇÃO DAS ‘BLUSINHAS’
Outro ponto que aparece como fator de desgaste para o presidente é a polêmica envolvendo a taxação das chamadas “blusinhas” — apelido dado à cobrança de impostos sobre compras internacionais de baixo valor feitas em plataformas estrangeiras.
A medida gerou forte reação de setores industriais e comerciais, que acusam o governo de aumentar custos ao consumidor e prejudicar pequenos empreendedores que dependem do comércio digital, bem como as indústrias nacionais de vestuário entre outras.
Entidades ligadas ao varejo e representantes do setor produtivo intensificaram críticas ao Planalto nas últimas semanas, argumentando que o aumento da tributação elevou preços e reduziu competitividade.
Nos bastidores, aliados de Lula admitem que a pauta produziu desgaste inesperado principalmente entre jovens consumidores e trabalhadores informais.
A soma desses fatores ajuda a explicar o cenário de equilíbrio mostrado pela pesquisa: de um lado, um governo que tenta recuperar popularidade com programas sociais e estímulos econômicos; do outro, uma oposição que mantém forte capacidade de mobilização digital e consolida Flávio Bolsonaro como principal nome da direita para enfrentar Lula em 2026.
O levantamento do Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros e possui margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no STE.


