Em um contexto de busca por maior autonomia na produção de combustíveis e diante de flutuações no mercado internacional, as refinarias da Petrobras estão operando com índices de utilização que ultrapassam a capacidade nominal. A informação foi divulgada pela própria companhia, destacando um desempenho acima do esperado.

Durante a apresentação do balanço trimestral, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, mencionou que o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias, que mede o volume de petróleo processado em relação à capacidade instalada, alcançou 95% no primeiro trimestre de 2026. Em março, o indicador chegou a 97,4%, o maior patamar desde dezembro de 2014.

Em teleconferência com investidores e analistas, Chambriard revelou que nos meses de abril e maio, o FUT superou os 100%. William França, diretor de Processos Industriais e Produtos, detalhou que a operação tem registrado índices como 102% e 103%, chegando a 103% entre os dias 11 e 12 de maio.

O Fator de Utilização Total (FUT) nas refinarias indica o quão eficientemente as unidades estão transformando petróleo em derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação. Um FUT de 100% significa que a refinaria está operando em seu limite. Conforme explicado por França, o indicador pode exceder 100% quando a carga de processamento é ligeiramente maior que a capacidade de referência, desde que haja aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A expansão na utilização das refinarias foi associada por França ao cenário geopolítico global, especialmente a guerra no Irã, que impacta os preços internacionais. Ao refinar mais petróleo internamente, a Petrobras agrega valor e se beneficia do aumento na produção de derivados, complementando as receitas de exportação de petróleo bruto.

O diretor também ressaltou os investimentos contínuos em confiabilidade das refinarias, por meio de inspeções baseadas em risco e outras tecnologias de engenharia. Essa estratégia tem permitido aumentar o tempo de operação de equipamentos-chave, como bombas, reduzindo a necessidade de intervenções e otimizando o uso dos ativos. A redução do tempo de manutenção programada em 2026, após um ano de preparativos intensivos em 2025, também contribui para a maior disponibilidade e utilização das unidades.

Um exemplo notável é a Refinaria Abreu e Lima (Rael), em Ipojuca (PE). Após uma parada para manutenção bem-sucedida no primeiro trimestre de 2025, a unidade, com capacidade nominal de 130 mil barris por dia, passou a processar entre 140 mil e 150 mil barris. Em abril deste ano, a Rael registrou um recorde na produção de óleo diesel S-10, com 385 milhões de litros, superando a marca anterior de 2016.

A Petrobras opera um parque de 11 refinarias em todo o país, incluindo o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, é a maior, respondendo por aproximadamente 30% da capacidade total de refino nacional.