O Ministério da Fazenda revisou significativamente para cima sua projeção de inflação para o ano corrente, elevando a estimativa de 3,7% para 4,5%. Este ajuste coloca a previsão oficial no limite máximo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e é atribuído, em grande parte, às recentes tensões no Oriente Médio e seu impacto nos preços globais do petróleo.

A nova estimativa consta no Boletim Macrofiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE). Apesar da pressão inflacionária, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 2,3% para este ano e em 2,6% para 2027, indicando uma perspectiva de estabilidade na atividade econômica.

O documento da Fazenda aponta a disparada do petróleo no mercado internacional, que superou os US$ 110 por barril em decorrência das tensões no Golfo Pérsico, como o principal fator por trás da elevação da inflação. A SPE destacou que a perspectiva de inflação mais alta reflete diretamente os desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços de petróleo e seus derivados.

Contudo, o governo sinaliza que parte desse impacto inflacionário pode ser mitigada pela valorização da moeda brasileira e por medidas governamentais voltadas à redução do repasse dos custos de combustíveis aos consumidores. O documento ressalta que o real mais apreciado e ações de desoneração podem contrabalancear parte do choque nos preços do petróleo.

Com a revisão, a projeção de inflação do governo alcança o teto do sistema de metas contínuas, que prevê um centro de 3% com uma banda de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para 2027, a estimativa de inflação também foi ajustada, passando de 3% para 3,5%.

Em relação ao PIB, a manutenção da projeção de crescimento em 2,3% para este ano e 2,6% para 2027 ocorre mesmo diante do cenário inflacionário mais desafiador. A equipe econômica avalia que, embora a atividade deva desacelerar nos próximos trimestres devido aos efeitos da política monetária restritiva, uma recuperação gradual é esperada ao final do ano.

As projeções do governo divergem das expectativas do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, a inflação projetada pelos analistas para este ano é de 4,92%, com crescimento econômico de 1,85%. A SPE, por sua vez, monitora os riscos internacionais, mas ressalta a resiliência do mercado de trabalho brasileiro como um pilar de sustentação da atividade econômica.

Adicionalmente, a alta nos preços do petróleo deve gerar um aumento na arrecadação do governo federal. Estimativas da SPE indicam que o choque nos preços da commodity pode elevar a arrecadação em aproximadamente R$ 8,5 bilhões mensais, considerando receitas de royalties, dividendos e impostos ligados ao setor petrolífero. Esse ganho arrecadatório é visto como um facilitador para uma resposta fiscal firme e responsável, complementando a política monetária e o compromisso com a consolidação fiscal.