Em Paris, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou nesta segunda-feira (18) o apoio do Brasil à discussão internacional sobre a taxação de grandes fortunas. Ele afirmou que o país estaria aberto a incluir o tema na agenda do G7, grupo que congrega as sete economias mais desenvolvidas do mundo.
A declaração ocorreu durante um evento promovido pela revista Le Grand Continent, onde Durigan compartilhou o palco com o economista francês Gabriel Zucman, conhecido por sua defesa de um imposto mínimo global para bilionários. A participação do ministro em Paris faz parte de reuniões preparatórias para a próxima cúpula do G7.
“Eu sou muito disposto a levar esse debate porque é um debate do nosso tempo. Agora, se tiver espaço para discutir justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”, declarou Durigan, ressaltando o interesse brasileiro em avançar na pauta da equidade tributária.
O evento reuniu especialistas, políticos e representantes do setor econômico francês para debater a tributação internacional e a crescente desigualdade social. Zucman é o autor de uma proposta que sugere a implementação de um imposto mínimo global de 2% sobre patrimônios acima de 100 milhões de dólares. O economista já colaborou com o governo brasileiro em iniciativas anteriores, incluindo o período em que o Brasil presidiu o G20.
Durigan também mencionou a recente reforma tributária aprovada no Brasil, que introduziu uma alíquota mínima progressiva sobre rendas elevadas, prevista para impactar cerca de 142 mil indivíduos. Apesar do apoio brasileiro, a proposta de taxação de grandes fortunas encontra resistência em alguns países, como os Estados Unidos, embora tenha ganhado espaço nas discussões do G20.
Durante sua estadia na França, o ministro Durigan também buscou promover o Brasil como destino de investimentos estrangeiros, destacando o momento econômico favorável do país em meio a tensões globais. Ele ressaltou o potencial brasileiro na produção de minerais críticos, como terras raras, nióbio e grafeno, essenciais para a indústria tecnológica e a transição energética, enfatizando a necessidade de segurança jurídica para atrair investimentos e estimular a industrialização desses materiais no país.
A agenda de Durigan em Paris incluiu também uma reunião com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol. Paralelamente às discussões sobre taxação de grandes fortunas, a principal preocupação dos ministros das Finanças do G7 permanece o impacto econômico da guerra no Oriente Médio, com especial atenção aos riscos para o fornecimento de petróleo. Durigan reiterou a defesa de subsídios limitados aos combustíveis para mitigar os efeitos da crise energética nos preços internos. As discussões do G7 abrangem ainda inflação global, segurança energética e estabilidade geopolítica.


