A atividade econômica do Brasil registrou uma queda de 0,7% em março, marcando o primeiro mês de impacto da guerra no Irã, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que serve como termômetro da economia mensalmente, mostrou um recuo em relação a fevereiro.

A retração foi observada em todos os principais setores econômicos avaliados: arrecadação de impostos, agropecuária, indústria e serviços. O setor de serviços, em particular, apresentou a maior desaceleração, com uma redução de 0,8%.

Especialistas apontam que o cenário de incerteza global, intensificado pelo conflito no Oriente Médio, afeta diretamente as expectativas empresariais. William Baghdassarian, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), explica que o medo de desdobramentos negativos, como o aumento dos preços de combustíveis e a possível redução nas exportações para a China, leva as empresas a adiarem investimentos, impactando o movimento econômico geral.

“O medo de algo ruim acontecer é tão ruim quanto o algo ruim acontecer de fato”, ressalta Baghdassarian, detalhando o efeito em cadeia que eventos geopolíticos podem desencadear na economia global e, consequentemente, no Brasil.

Apesar da queda em março, o IBC-BR acumulou uma alta de 1,8% nos últimos 12 meses. No entanto, Baghdassarian alerta que, mesmo com a possível resolução do conflito no Irã, as eleições no Brasil podem se tornar um novo fator de incerteza, dificultando a recuperação econômica.