A criação de novas carteiras de investimentos pelo Banco Master, em um momento de escassez de liquidez, foi o principal fator que alertou o Banco Central (BC) sobre a má gestão da instituição financeira. A informação foi divulgada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Galípolo explicou que a lógica do mercado financeiro dita que bancos com dificuldades de liquidez devem vender carteiras existentes, não criar novas para captar recursos. “Se você está com dificuldade de dinheiro, você vende carteira. Aí tudo bem, mas como é que você está vendendo uma carteira nova? Foi isso que chamou a atenção do BC imediatamente”, afirmou.

O presidente do BC defendeu a atuação da autoridade monetária diante das acusações de fraudes bilionárias envolvendo o Master. Ele mencionou que, em novembro de 2024, um acordo foi firmado com o banco para que este se adequasse em governança, capital e liquidez em um prazo de seis meses.

No entanto, o Master passou a buscar recursos com garantias do Fundo de Garantia de Créditos (FGC), mas encontrou restrições. Posteriormente, as tentativas de captar junto a fundos de investimento também foram infrutíferas.

Diante disso, o banco intensificou a venda de carteiras, especialmente para o Banco Regional de Brasília (BRB), uma operação que está sob investigação da Polícia Federal por suspeita de fraude em R$ 12,2 bilhões em créditos. O BRB chegou a tentar adquirir o Master, mas a transação não foi aprovada pelo BC.

A partir de janeiro de 2025, com a formação de novas carteiras de investimentos em meio aos problemas de liquidez, o BC estabeleceu um grupo específico para analisar tais operações. A liquidação extrajudicial do Banco Master ocorreu em 18 de novembro de 2025, dez meses após o início dessa nova fase e após a negativa na compra pelo BRB.

Antes da intervenção, o Master chegou a propor uma solução envolvendo supostos investidores árabes, cujos nomes não foram revelados ao presidente do BC. “Quando há rejeição da compra do BRB, o banco apresenta um segundo pedido de carta para o FGC e para o Banco Central, dizendo que faria uma saída organizada do mercado, ou seja, reconhece que o banco não é viável mais, mas que ele mesmo faria uma autoliquidação do banco, passando para esses investidores árabes. Jamais tive conhecimento deles”, relatou Galípolo.

Galípolo reiterou que a liquidação do Banco Master não representou risco sistêmico para o mercado financeiro, devido ao seu tamanho reduzido em relação ao sistema bancário total. Ele destacou que o foco das preocupações recaiu sobre a gestão dos recursos depositados na instituição.

Por fim, o presidente do BC ressaltou que a liquidação de uma instituição não deve ser vista como uma punição aos seus gestores, mas sim como uma medida necessária quando a instituição se encontra em um ponto insustentável, visando proteger os correntistas e demais envolvidos.