A nova pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste sábado, 22, volta a preocupar a base do governo federal e o palácio do Planalto, na corrida eleitoral de forma surpreendente e inimaginável até semana passada.
Pela primeira vez desde o avanço das articulações da direita para o próximo pleito, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro aparece consolidada como uma alternativa competitiva dentro do campo bolsonarista, alcançando 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que registra 48%.
Embora Lula mantenha vantagem numérica, o desempenho de Michelle foi tratado nos bastidores políticos como uma surpresa estratégica.
Integrantes da oposição avaliam que a ex-primeira-dama conseguiu preservar parte do eleitorado conservador sem carregar, ao menos até o momento, o mesmo desgaste político enfrentado por outros integrantes do clã Bolsonaro.
A leitura entre aliados do PL é de que Michelle surge como uma “reserva eleitoral” capaz de manter viva a força do bolsonarismo caso o cenário envolvendo Flávio Bolsonaro continue se deteriorando.
FLÁVIO X LULA
O levantamento também mostrou mudança importante no cenário envolvendo Flávio Bolsonaro. Após semanas aparecendo em empate técnico com Lula, o senador oscilou negativamente e agora aparece com 43% contra 47% do petista em um possível segundo turno. Na rodada anterior, ambos tinham 45%.
Analistas políticos atribuem parte dessa queda à repercussão das denúncias envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, citado em reportagens sobre supostos pedidos de apoio financeiro para a produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As revelações provocaram desgaste imediato na pré-campanha de Flávio e passaram a ser exploradas por adversários como símbolo de proximidade entre política, empresários e financiamento de projetos ligados ao bolsonarismo.
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que a queda de Flávio ainda é pequena, mas politicamente significativa. Isso porque acontece justamente no momento em que o senador tentava consolidar sua imagem como herdeiro político natural do ex-presidente Bolsonaro.
A pesquisa foi a primeira realizada integralmente após a repercussão do caso envolvendo Vorcaro, o que reforçou a percepção de impacto direto no humor do eleitorado.
POTENCIAL POLÍTICO DE MICHELLE
Outro dado que chamou atenção foi o potencial eleitoral de Michelle entre evangélicos e mulheres conservadoras, segmentos considerados decisivos para qualquer candidatura competitiva da direita em 2026.
Mesmo sem experiência em cargos eletivos, ela aparece próxima dos números de Flávio em um cenário nacional altamente polarizado, demonstrando que o sobrenome Bolsonaro continua com forte peso político entre parte significativa do eleitorado brasileiro.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre os dias 20 e 22 de maio, em 135 cidade, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A Datafolha registrou a pesquisa no STE BR-07489/2026.



