ÀS portas das eleições de 2026, o Partido Liberal (PL) no Amazonas começa a enfrentar um desafio que pode se tornar tão importante quanto a disputa contra adversários externos: a manutenção da unidade interna.
Nos bastidores da política amazonense, lideranças do partido admitem que divergências estratégicas vêm provocando desconforto entre importantes quadros da legenda comandada no estado pelo ex-senador Alfredo Nascimento.
O cenário preocupa porque ocorre justamente no momento em que o partido tenta consolidar a pré-candidatura de Maria do Carmo ao Governo do Amazonas e fortalecer o projeto nacional alinhado ao senador Flávio Bolsonaro.
Entre os episódios que chamaram atenção está o posicionamento do deputado estadual Cabo Maciel. Nos meios políticos, circulam informações de que o parlamentar estaria insatisfeito com decisões internas da legenda e avaliando maior aproximação com o grupo liderado por Wilson Lima, hoje apontado como o nome do União para a disputa ao Senado Federal.
Outra fonte de preocupação envolve o vereador Sargento Salazar, um dos nomes mais expressivos do campo conservador na capital amazonense e o vereado mais votado nas últimas eleições municipais, em 2024, com mais de 22.594 votos.
Segundo relatos de bastidores, Salazar veria com reservas uma eventual aproximação entre o PL e o grupo político ligado ao Roberto Cidade e ao União Brasil. O vereador teria demonstrado desconforto com a possibilidade de alianças que, na avaliação de parte de seus apoiadores, poderiam descaracterizar o discurso político defendido durante sua campanha.
Caso essas divergências evoluam para uma ruptura efetiva, os reflexos podem atingir diretamente a estratégia eleitoral do partido. Isso porque o projeto do PL para 2026 depende não apenas do desempenho de Maria do Carmo na disputa pelo governo estadual, mas também da capacidade da legenda de manter uma chapa competitiva para a Câmara Federal, Assembleia Legislativa e Senado.
CAPITAL POLÍTICO
Nesse contexto, a permanência de Sargento Salazar é vista por analistas políticos como um fator relevante para o partido. Com forte presença nas redes sociais e elevada identificação junto ao eleitorado conservador de Manaus, o vereador tornou-se uma das principais vitrines eleitorais do PL no Amazonas.
Uma eventual saída poderia provocar perda de capital político, redução da mobilização da militância e impacto na estratégia de crescimento da legenda na capital e fulminar o projeto da empresária Maria do Carmo em se tornar a primeira mulher governadora do Amazonas.
ALFREDO NASCIMENTO
Por outro lado, dirigentes partidários afirmam que ainda há tempo para acomodação interna e construção de consensos. Alfredo Nascimento, o presidente da legenda no Amazonas e pré-candidato à Câmara Federal, corre da sala para a cozinha numa tentativa de evitar o racha.
A avaliação predominante é que o período pré-eleitoral costuma ser marcado por negociações intensas, reavaliações de alianças e disputas por espaço político, sem que isso necessariamente resulte em rompimentos definitivos.
O fato é que, à medida que 2026 se aproxima, o PL amazonense enfrenta um teste decisivo: demonstrar capacidade de manter unido um grupo formado por lideranças com perfis, interesses e estratégias diferentes.
O sucesso ou fracasso dessa missão poderá influenciar não apenas a corrida pelo Governo do Amazonas, mas também o desempenho da legenda em toda a estrutura eleitoral do estado.
Imagem: chat GPT



