A bolsa de valores brasileira encerrou o dia de terça-feira em alta, enquanto o dólar registrou queda, mesmo diante de um cenário de aumento na tensão comercial com os Estados Unidos. O Ibovespa, principal índice da bolsa, avançou 1,16%, alcançando 174.197 pontos. Paralelamente, a moeda americana recuou 0,24%, fechando cotada a R$ 5,009.
O desempenho positivo dos ativos brasileiros ocorreu a despeito da proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor a partir de 15 de julho. Essa medida faz parte de uma investigação americana sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil.
Apesar das ameaças comerciais provenientes do governo dos EUA, o mercado financeiro local concentrou sua atenção em um ambiente externo mais favorável ao apetite por risco, relegando as preocupações comerciais a um segundo plano. O cenário político interno também foi um fator relevante, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinando que os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços conduzam as negociações com Washington. O governo brasileiro classificou a proposta americana de aumento de tarifas como injusta.
No mercado de câmbio, o dólar comercial acompanhou a tendência global de enfraquecimento da moeda americana frente a divisas de economias emergentes. A cotação variou entre R$ 5,0003 e R$ 5,0245 ao longo do dia, mas encerrou próximo da estabilidade, pouco acima do patamar de R$ 5. No acumulado do ano, a moeda americana registra uma queda superior a 8% em relação ao real, impulsionada em parte pelo fluxo de capital para a bolsa e pelos juros elevados no Brasil em comparação com outras economias.
Em outros mercados, os preços do petróleo encerraram o dia em alta. O barril do Brent, referência internacional, subiu 1,07%, a US$ 96, enquanto o WTI, do Texas, avançou 1,74%, atingindo US$ 93,76. A cautela dos investidores em relação às conversas entre Washington e Teerã e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global de petróleo, sustentaram os preços da commodity em patamares elevados.


